Não avisaram ao pemedebê que o governo existe!

Sempre que pode, o PMDB espeta o PT e agora a presidente Dilma. Pelo menos no programa partidário exibido em cadeia nacional na noite passada o pemedebê deixou claro que pretende ficar distante dos problemas do Planalto, principalmente quando a bomba estourar. Ficou parecendo que a legenda não faz parte do governo, pois não citaram em um só momento o nome nem o sobrenome Rousseff.

Com um discurso unificado, as principais lideranças preferiram falar sobre a legenda, o desempenho na campanha eleitoral passada, principalmente a disputa acirrada PT/PMDB contra o PSDB do senador Aécio Neves, conforme palavras – escritas, é claro pelo marqueteiro – da apresentadora. Soou como uma espécie de alta suficiência da sigla.

Então, vamos a leitura: “Em 2014, vivemos um momento efervescente da democracia. O Brasil ficou como há muito não se via: dividido nas opiniões. Tivemos as eleições mais acirradas nos últimos 25 anos; excessos foram cometidos, mas a liberdade de escolha esteve acima de tudo e nada tirou o brilho da festa”.

E complementou: “O Brasil, democrática e legitimamente, escolheu seus representantes, escolheu aqueles que terão a responsabilidade de conduzir o País nos próximos anos”. A propósito, palavras bem encaixadas e amontoados de recados.

O vice da República, Michel Temer – presidente nacional – estrelou com a afirmação de que o Brasil precisa de uma agenda positiva, mas defendeu que a investigação deve acontecer simultaneamente. O fato a que se referiu foi sobre o escândalo da Petrobras. Temer falou assim:

– O PMDB fez as suas escolhas; a primeira delas é a reforma política de verdade, a outra é prestigiar a liberdade plena de informação. Também é nosso propósito defender a iniciativa privada.

Foi só! A demais, destacou o programa de ajuste fiscal e previu um país economicamente “mais forte e saudável” com as medidas adotadas no começo do ano pelo governo do qual o partido que dirige no plano nacional é participe.

Renan Calheiro, presidente do Senado e uma das estrelas do PMDB, preferiu falar do cargo que ocupa e que “exige reflexão, equilíbrio, humildade e perseverança para fazer mudanças que o atual momento do País requer”. Adiantou, ainda: “É meu dever escolher e colocar em pauta de votação temas de maior interesse da sociedade que tragam benefícios aos brasileiros”.

O polêmico presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, também apagou da memória o governo, preferindo citar que pretende “transformar oportunidade em mudanças”, ressaltando ainda o seguinte: “Foi iniciado o processo de votação de reforma política de verdade”. Ou seja, para ele o PT e a presidente Dilma não têm nenhuma importância.

Ocuparam o mesmo espaço, os ministros Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura) e Edinho Araújo (Portos), Helder Barbalho (Pesca), Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Vinícius Lajes (Turismo). Também, o senador Eunício Oliveira (CE), líder do partido no Senado.

Bem, os senadores paraibanos José Maranhão e Raimundo Lira passaram despercebidos. (DP)