Se depender do novo presidente da Assembleia, Adriano Galdino (PSB) – recém eleito -, o deputado Tião Gomes (PSL) não será punido por ter quebrado o sistema de votação eletrônico da Casa de “Epitácio Pessoa”. O fato ocorreu ontem (1) antes do processo de votação para escolha dos novos integrantes da Mesa Diretora do Poder Legislativo do Estado.
Em entrevista à Rádio CBN e, depois postada no site do Jornal da Paraíba, Galdino disse que “aquela reação de Tião foi legítima”, justificando seu ponto de vista a uma suposta alteração no sistema de votação sem a devida transparência. Adiantou: “Ele (presidente anterior) mudou o programa com uma nova formatação. Quem muda esse programa entende das coisas…”.
“[…] E por que a gente não foi convidado para acompanhar, para participar? Portanto, a reação de Tião é fruto desse comportamento do gestou anterior”, destacou.
Assina a matéria o jornalista Lenilson Guedes. O quanto ao seu maior desafio como presidente da Assembleia? “Democratizar a Casa”. Abaixo, trechos da entrevista:
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Alguma medida administrativa contra o deputado Tião?
Tião não fez absolutamente nada que me permita tomar alguma providência contra ele. Ele apenas desligou o sistema, puxou as tomadas, porque não só ele mas todos nós estávamos desconfiados daquele sistema. A pergunta que deve ser respondida pelo presidente anterior é por que ele fechou a Assembleia, afastou todos os funcionários de informática da Assembleia e trouxe uma equipe nova para implantar esse programa da votação. Por que ele não usou os membros da informática da Assembleia, por que ele não chamou a nós que fazemos parte da outra chapa para acompanhar esse programa, por que foi feito assim de uma maneira obscura e no sábado fechar a Assembleia, colocar todos os funcionários da informática fora e junto com a equipe externa fazer esse trabalho? É muito complicado. Além do mais, aquele sistema eletrônico só tinha uma maneira de votar, que é sim, não e abstenção. Ele mudou o programa com uma nova formatação. Quem muda esse programa entende das coisas. E por que a gente não foi convidado para acompanhar, para participar? Aquela reação de Tião, que foi legítima, é fruto desse comportamento do gestor anterior.
Como o senhor avalia o resultado?
Com muita alegria e satisfação. O importante é que hoje eu sou presidente da Assembleia e serei presidente dos 35 deputados. Essa preocupação de saber quais foram os deputados que assinaram a lista e não votaram é uma preocupação menor, uma preocupação pequena. Eu acho que não faz mais sentido. Eu tenho que ter o equilíbrio, eu tenho que ter a humildade e reconhecer que eu sou hoje presidente graças a maioria, mas que tenho que administrar para todo os deputados.
Como presidente da Casa qual o maior desafio?
Democratizar a Casa. A Casa precisa abrir diálogo com os funcionários, com o sindicato, com os deputados de uma maneira geral. A Casa era administrada por um grupo de deputados. Agora nós queremos abrir esse debate para todos os deputados. Precisamos dialogar com os outros poderes de forma mais harmônica. A Paraíba perdeu muito com aquela briga exagerada do Executivo com o Poder Legislativo. Isso é muito ruim para a Paraíba e para os paraibanos também. Vou fazer cumprir o artigo 2º da Constituição, onde ele afirma que os poderes devem ser independentes e harmônicos. Vou manter a independência da Assembleia, mas vou buscar a harmonia com todos os poderes, para que a gente possa fazer uma gestão equilibrada, uma gestão voltada para os interesses maiores da Paraíba.
Sobre o duodécimo, como o senhor vai tratar dessa questão com o governo?
Com muito diálogo, com muito equilíbrio, com muita determinação e buscando sempre a autonomia do Poder. Nós vamos fazer o enfrentamento de ideias. O governador deve expor o seu ponto de vista, nós da Assembleia iremos expor o nosso e vamos buscar o equilíbrio para que a gente possa encontrar uma solução melhor para ambos.
A construção de uma nova sede está nos seus planos?
É um sonho meu. Um sonho que eu vou buscar. Existe uma resistência não só em parte de alguns funcionários, como alguns deputados também, mas acima de tudo com o pessoal que cuida da história da Paraíba que não aceita de forma nenhuma que a Assembleia mude de local. Já iniciei esse debate até antes de ganhar as eleições e há uma resistência muito forte por conta da questão da praça dos 3 Poderes, que a sede sempre foi ali. Mas eu acho que essa questão de mobilidade urbana é uma questão que preocupa todo mundo, é uma questão que realmente precisa ser analisada e debatida de uma forma muito especial. A preço de hoje não comporta mais a Assembleia continuar no centro da cidade com as instalações que tem. Seria muito importante a gente tornar ela mais eficiente, com instalações melhores, mas num canto afastado do centro da cidade para que a gente possa ter uma melhor mobilidade urbana.
E sobre a harmonia dos poderes, qual seu ponto de vista?
Eu vou fazer cumprir o artigo 2º da Constituição Federal. A Constituição diz que os poderes devem ser independentes e harmônicos. Quem me conhece e convive comigo sabe que eu sou um sujeito amigo, leal, mas não sou subserviente a ninguém. Isso não quer dizer que vou ser um atraso com relação aos outros poderes. De forma nenhuma. Eu vou estar sempre aberto para dialogar, para conversar, para buscar o entendimento, para buscar o equilíbrio. Sou muito grato ao apoio que tive do governador. Confesso que sem o apoio dele eu não estaria hoje presidente. Mas acima de tudo tem as minhas obrigações constitucionais. O artigo 2º diz que os poderes devem ser independentes e harmônicos e eu vou buscar sim essa harmonia. A gestão passada pecou muito nessa questão da harmonia. Exagerou demais na questão da independência e a harmonia ficou em zero. Isso foi muito ruim porque a Paraíba perdeu muito. Eu lembro muito bem daquela questão do empréstimo da Cagepa que passaram mais de seis meses para aprovar aquele empréstimo. A Cagepa perdeu mais de R$ 100 milhões, uma quantia vultosa. A questão também da permuta dos terrenos do Shopping, que foi quase oito meses de debate. Uma coisa desnecessária. Eu acho que esse tipo de trabalho contra a Paraíba não é bom para a Assembleia. Os deputados que querem fazer oposição ao governo vão ter toda a liberdade de fazer essa oposição. Agora, o que não pode é deputado fazer oposição à Paraíba e aos paraibanos. Isso aí realmente é muito complicado e foi muito ruim para a Paraíba e para os paraibanos. (JPA)
