NO PRIMEIRO DEBATE, CANDIDATOS revelam que Paraíba está em crise

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Terminado o espetáculo do primeiro debate entre Cássio Cunha Lima (PSDB), Ricardo Coutinho (PSB), Vital do Rêgo (PMDB), Major Fábio (PROS), Tárcio Teixeira (PSOL) e Antônio Radical (PSTU) – candidatos ao governo da Paraíba – restou a impressão que a crise na Paraíba é muito maior do que se imagina. Em tese, seria o mesmo que se criar um novo estado.

Em tese, os problemas na segurança seria o único para ser resolvido. Mas, na prática, é bem mais do que isso. Pelo menos, a fratura ficou bem exposta também na saúde e educação e, ainda, na área dos servidores públicos. Antônio Radical, o candidato do PSTU, deu conta da existência de mais de 20 mil prestadores de serviço em detrimento aos concursos públicos.

O debate da “TV Master” foi encarniçado. Uma espécie de luta de boxe, com o candidato à reeleição Ricardo Coutinho levando o seu principal rival das eleições de outubro às cordas. Antônio Radical, Tárcio Teixeira e Major Fábio distribuíram jabs. Guarda levantada, Cássio esquivou-se do nocaute. Vital do Rêgo se pôs a defender propostas de governo.

A questão das promessas não cumpridas da campanha passada pelo então candidato Ricardo Coutinho foi levado ao ringue, tendo citado a construção de maternidades, abono natalino do Bolsa Família e redução dos índices de violência. A pergunta foi feita por Radical, que arrematou: “Qual será a próxima enganação?”. O governador reeleitoral respondeu assim: “Radical deixe de ser Radical”, negando que as promessas estavam sem resultado.

A tática da pancadaria é vista como recurso extremo pelo comitê de Ricardo, tendo como alvo maior o tucano Cássio por ele estar liderando as pesquisas de intenções de votos. No PSB, o objetivo é “produzir” um segundo round. Tanto é verdade que em todas as perguntas, inclusive feitas por outros candidatos, tinha como alvo o candidato do PSDB, enquanto os demais postulantes ao cargo de governador era ignorado.

Uma coisa é certa: o histórico das últimas campanhas mostra que ataques não rende votos. Ao contrário, o “agressor” sempre entra no índice da rejeição. A candidatura de Cássio teria sofrido avarias se ele tivesse escorregado. Não foi o que aconteceu. É bom lembrar que os rivais Vital, Radical, Major Fábio e Tárcio não deixaram que isso ocorresse, porque avalia que a crise é grave. “Nós vivemos num estado de calamidade”, disse Fábio.

Ricardo ainda ganhou dois minutos de um direito de resposta no primeiro round do debate. Aproveitou, como já era esperado, para tentar nocautear o seu principal rival Cássio, que manteve-se de pé. Vital ainda tentou vincular o tucano ao governador reeleitoral, destacando que CCL calou-se por mais de três anos para os problemas da atual gestão. Assim respondeu o candidato tucano:

“Vitalzinho sabe que existem dois momentos, um de trabalhar pela vitória na eleição e outro para governar. […] Fizemos uma carta de intenção e demos todas as condições para que o governo que o governo se desenvolvesse. […] Mas isso não aconteceu e não poderia ser irresponsável e fragilizar a administração”.

Complementando, o tucano disse que não concordou com o estilo adotado por Ricardo Coutinho: “Aguardamos para que o governo pudesse engrenar, mas não aconteceu”.

Dizendo que o PMDB é a única oposição na Paraíba, Vital disse que “nós somos a verdadeira oposição e desde o começo dessa gestão mostramos a falha deste governo”.

Mas, enfim, parece que a disputa pelo governo da Paraíba tem apenas dois protagonistas: Ricardo versus Cássio, este último sempre levado as cordas do ringue pelo contendor candidato à reeleição.