TRÊS LIDERES E UM FUTURO INCERTO, por Gilvan Freire

Não deixe de ler abaixo fragmento do artigo do sempre lúcido Gilvan Freire:

“Antes do dia da eleição, ninguém com certeza saberá como ela termina. Às vezes o quadro se modifica como o movimento das nuvens, muito embora, na regra geral, os últimos dias possam antecipar mais ou menos o resultado. Depende de cada eleição especificamente. Por isso, é comum se dizer que cada eleição tem a sua própria história, já que nunca os fatos se repetem com as mesmas características.

Na Paraíba, atualmente, mesmo que ainda não se saiba de forma cabal quem são os candidatos a governador, porque há questões pendentes e fatores que podem mexer com o cenário, é razoável que se pense em três candidaturas, Cássio, Veneziano e Ricardo Coutinho. Pelo menos a maior parte da população raciocina assim e vai agindo de acordo com essa percepção. No imaginário do povo, a disputa será muito interessante se girar em torno dos três.

Lógico que o tabuleiro se move também envolvendo as peças menores, digamos os coadjuvantes, algumas capazes de todo tipo de estripulias para entrar no jogo sem o menor apreço e apego à coerência ou a compromissos políticos e partidários. Grande volume dos que se movem de um lado a outro do tabuleiro vai trair alguém ou trair algum dever ético ou moral, mas se é para respeitar alguma regra de decência e comprometer seus interesses pessoais, que se danem a ética, a moral e a decência. Não é assim como se comporta a chamada classe política hoje?

A CORRIDA PELO SENADO, ONDE NÃO HÁ NENHUM CANDIDATO FAVORITO E NENHUM LÍDER DE GRANDE EXPRESSÃO AO NÍVEL DO EX-GOVERNADOR ZÉ MARANHÃO, por exemplo, vai trazendo à tona nomes de baixa densidade eleitoral, favorecidos pelo vácuo de liderança e quadros. O que esperar de líderes secundários quando não há grandes líderes? É, pode acontecer de tudo abaixo da linha do politicamente correto.

Quanto às candidaturas a governador, vejamos uma análise prévia, pelo menos considerando os interesses eleitorais que despertam os três maiores líderes do momento.

CÁSSIO. É o favorito da largada. Seu tamanho, neste instante, é assustador. Ele reúne três dos principais elementos da formação do líder: confiabilidade pública, trajetória e carisma. Enquanto isso tudo está ainda em crescimento e as paixões coletivas se manifestam a favor e não há sinais ostensivos de vulnerabilidade, a situação pode ser considerada sólida – mas não impossível de ser atacada pela ação dos fenômenos supervenientes e das surpresas. Há quem diga que Cássio está no topo e, portanto, tenderia a descer do pedestal. Mas, ao contrário, se continuar subindo, ou estacionar no alto, vai ganhar a eleição sem grandes sacrifícios e demolir os adversários.

VENEZIANO. É o maior líder do movimento anticassio, surgido com fervor quase ideológico em Campina Grande, palco de disputas homéricas nestes últimos anos. Foi lá e por conta de seus atributos e carisma que ele cresceu, surpreendendo pelo espírito de combatividade e pela capacidade de desafiar e pela postura de ativista rebelde e revolucionário. Hoje é o herdeiro do maranhismo, o movimento político baseado no PMDB que amedrontou Cássio e lhe impôs vexames. Foi a partir do maranhismo que Veneziano estadualizou seu nome, ultrapassando as cercanias campinenses. Neste momento Veneziano está atrofiado pelo expansionismo de Cássio e pela eclosão da crise entre Cássio e sua cria RC, mas, se sair do imprensado, vai pra cima de Cássio com a mesma determinação e coragem com que fez isso antes na rinha de galináceos da beligerante, afoita, inquieta e aguerrida Campina Grande – a Esparta ou Angico dos tempos modernos na Paraíba.

RICARDO COUTINHO. É o tipo de político diferente que poderia ter feito a diferença. Mas nem se diferenciou em nada nem deu certo. Só frustrou. Depois de três anos de governo descobriu que não tinha feito um governo ao menos razoável e nem tinha construído amigos, além dos inimigos que fez em massa. Nenhum líder político sobrevive em meio a essa tragédia, a não ser que não tenha competidores de melhor índole e de mais tino. RC vai ter que disputar dentro de casa com gente maior do que ele, mais bem acolhida pelo eleitor e mais versada na arte de fazer amigos e desconstruir inimizades. E ainda terá de enfrentar Sansão, o gladiador que tem magia e força extraídos dos cabelos. Se a campanha se polarizar entre o cassismo de Cássio e o anticassismo e maranhismo de Veneziano, RC estará fulminado antes do dia da eleição. E, provavelmente, nem os sinos dobrarão. Tudo, porém, depende dos sis.”

 

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