Entrega a chave, cara!, por Rubens Nóbrega

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A propaganda é a alma do negócio. Decerto você já ouviu falar que sendo boa mesmo pode-se levar pessoas a acreditar em qualquer coisa, a exemplo de abacate sem caroço a um governo sem mácula. Atento às maravilhas da publicidade, Ricardo Coutinho (PSB) tenta levar o seu governo como se fosse o melhor do país. Veja-se o que noticia o jornalista Rubens Nóbrega em sua coluna no Jornal da Paraíba, edição desta quinta (5):

“Nada é tão ruim que não possa piorar, disse o Barão de Itararé oitenta anos atrás, quando profetizou a Paraíba de agora. Aqui, soube ontem, a mão que fecha escolas no Estado onde a educação pública é um flagelo é a mesma que fecha delegacias onde a segurança é uma calamidade.
Por essas e outras, hoje vamos fazer de conta que os estados brasileiros são carros em competição. Neste momento, o carro Paraíba ocupa as últimas posições. Segundo especialistas, a máquina é boa, a torcida melhor ainda, a equipe mais ou menos…“Mas o que mata é o piloto”, lamentam.
Pelo visto, eles têm razão. Ao longo da corrida, o cara vem sendo ultrapassado por praticamente todos os competidores, inclusive por aqueles que pilotam carros com potência e potencial semelhantes, pertencentes a escuderias que levam os nomes de Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Sergipe…
Desse jeito, não se admirem se antes da última volta desse Grande Prêmio (que largou em janeiro de 2011 e só cruza a reta de chegada em dezembro de 2014) o carro Paraíba sair da corrida por quebra ou pane seca. Alguns comentaristas acreditam, todavia, que se o condutor não abandonar a corrida e insistir em ficar até o fim é bem capaz do Paraíba tomara rabeira de um carro chamado Alagoas”.

Abaixo mais quatro notas da coluna de Rubens Nóbrega acerca do tema acima:

Zebra? Nem pensar!

Os analistas descartam, por outro lado, qualquer chance de uma zebra nessa disputa. Com o campeonato ainda na fase regional, não veem a mínima chance de acontecer algum acidente mais grave com os favoritos Bahia, Pernambuco e Ceará.“Aliás, pelo desempenho que a gente vem acompanhando, mesmo se esses carros estourarem os pneus, até rodando na jante eles chegam na frente do Paraíba”, acreditam os expertos no assunto.

Motorista embriagado

A performance do nosso piloto colocou-o dentro desse cockpit. Graças à sua exuberante incompetência autoritária e arrogante, vem fácil a imagem da Paraíba feito um carro.Desgovernado ou devagar-quase-parando.Daí pra frente, fluem velozes analogias clichês que induzem comparar o mesmo piloto a um motorista embriagado (com o próprio poder), do tipo que não tem a mínima condição de dirigir, mas não admite nem a pau entregar a chave do carro a alguém que saiba realmente guiar.
Desse jeito, na impossibilidade de lucidez, bom senso ou, quem sabe, um surto de humildade, o carro sai do autódromo e ganha as ruas para fazer o espetáculo da imprudência, da imperícia. E se ninguém aparecer para tomar o volante, sem uma lei seca que casse a carteira do temerário condutor aumentará enormemente a probabilidade de acidente grave, do tipo que quando não mata, aleija.

Desastres em série

Não vamos torcer pela tragédia, claro. Nem precisa. Ela começou há quase três anos. Já fez muitas vítimas pelo caminho. O jeito, então, é ter cuidado com o que pode vir, pois o homem é tinhoso, tem muitos recursos e pode muito bem enganar a torcida outra vez.Generosos até umas horas, muitos dos nossos torcedores deixam-se ludibriar facilmente por propaganda enganosa.Graças a um público assim, não é de todo impossível que o homem dê a volta por cima. Tá difícil, muito difícil, dificílimo, mas…

E o engenheiro-chefe?

É possível que ele feche de novo com aquele engenheiro (como é mesmo o nome dele?), que saberia como poucos ajustar a máquina para uma corrida eleitoral. Se conseguir manter esse técnico na equipe, tornar-se-á um corredor competitivo outra vez, com boas chances de renovar o contrato por mais quatro anos.
Aí, meu povo, que ninguém venha chorar depois o óleo derramado, causa provável de motor batido ou carro destruído após derrapagem na curva mais fechada do próximo Grand Prix. A tragédia será tamanha, estou avisando, que o carro ficará imprestável. Levará anos para ser recuperado.

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