Por favor, faz de conta que o Tribunal de Contas do Estado inexiste

O relatório do Ministério Público, que denunciou irregularidades nas contas da Secretaria da Casa Civil, no caso das despesas com 17 toneladas de lagosta, camarão, carne de primeira, 460 latas de farinha láctea, papel higiênico a R$ 59,90, sabão líquido a R$ 129… merece respeito. O Tribunal de Contas do Estado rasgou-o durante o julgamento desta quarta (30).

Pior: mudou o resultado do julgamento da semana passada, que tinha sido pela desaprovação. Estrategicamente, pediu-se a suspensão da sessão. Na volta, os conselheiros Fernando Catão e Arthur Cunha Lima mudaram o voto dado pela reprovação.

Devem estar envergonhados, talvez nem tanto porque não dependem de absolutamente ninguém para sobreviver, pois permanecerão recebendo acima de R$ 20 mil reais por mês, além de ocupar uma função vitalícia. Perde o posto só quando completa 70 anos. No entanto, o gordo contracheque é pra vida toda.

Ninguém acreditava que os conselheiros Catão e Arthur fossem mudar o voto, que optaram pela desaprovação das contas da Casa Civil, que protagonizou um escândalo que ganhou as manchetes nacionais. Foram audaciosos, sem sombras de dúvidas. Certamente, ouviram os conselhos do senador Cássio Cunha Lima. Afinal, tio e primo teriam recebido um conselho pra mudar o voto.

Mas com a mesma velocidade com que as contas foram reprovadas, o resultado do julgamento caiu em poucos minutos. E sabe de uma coisa: o saudoso Gervásio Maia, ex-presidente da Assembleia, quando defendeu o fim do Tribunal de Contas do Estado e a criação dos municípios estava coberto de razão. Tinha conhecimento da causa.

A lógica do pai de Gervasinho era que o TCE favorecia o governo e tinha decisões rigorosas com os municípios. Basta lembrar a recente decisão desta quarta, quando o TCE afrouxou para o lado do Palácio da Redenção. A pergunta que faz a Corte é se os prefeitos dos municípios também estão autorizados a comprar papel higiênico a R$ 59,90, 17 toneladas de lagosta…

Acho que sim. O Tribunal de Contas liberou geral.

Mas, enfim, a Corte que estava carente de holofotes ganhou em grande estilo e só Deus sabe o que aconteceu da semana passada pra cá. É fato que a estratégia deu certo. Mexeram muito neste processo, até misturaram as bolas para confundir a opinião pública.

Tiraram a atenção da gastança da Granja com as diárias cumulativas ao governador Ricardo Coutinho, ao secretário Lúcio Flávio (Casa Civil) e a um assessor de imprensa do Palácio da Redenção.

Deu certo.

Portanto, caro eleitor, Tribunal de Contas e governo passam a andar de mãos dadas. Quanto aos prefeitos vão continuar tendo as contas desaprovadas, imputação de multas… Fazem questão de distribuir notas a imprensa.

                 tcesessao

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