Em entrevista, Ricardo diz que foi traído por cinco “aliados”

blog toma à liberdade de usar neste espaço trechos da entrevista concedida pelo governador Ricardo Coutinho (PSB) a competente jornalista Sony Lacerda, cuja matéria ilustrou as páginas da edição deste domingo (6) do jornal Correio da Paraíba.
Ricardo fala dos investimentos dos últimos dois anos de sua gestão, além também da perspectiva para 2013 das obras de infraestrutura viárias e as atenções direcionadas para o desenvolvimento turístico do Estado. Os avanços na área da saúde…
Porém, chama a atenção a forma como o governador tratou o assunto relacionado com as eleições de 2012 em João Pessoa, a apunhalada que recebeu pelas costas de pessoas ligadas politicamente a ele. No entanto, preferiu omitir nomes. Não vale mesmo a pena falar deles.

Veja aqui trechos da entrevista, principalmente os temas políticos:
– Data base: o governador não pode fazer gracinha para ninguém. Vou dizer uma coisa: o reajuste, aquele que venha para cada categoria, é o reajuste possível e máximo de ser dado. O Governo Federal, depois de vários anos e com uma situação muito melhor que a da Paraíba, está dando 5%. Estamos buscando estabelecer recomposições salariais. Claro que algumas áreas nós devemos diferenciar. O das polícias terá de ser diferenciado, porque eu não posso desconhecer uma realidade que está aí presente no dia a dia. E vou fazer isso.
– Estiagem: a seca sempre foi um problema nacional. Nesse Governo agora foi que tomamos o problema para nós também e fomos distribuir ração para não perdermos todo o rebanho. Somos o único Estado do Nordeste que fizemos isso, apertados do jeito que estamos. Fomos distribuir carros-pipa, além dos do Exército, repassando para os municípios. O Governo tem pró-atividade, isso é indiscutível. Se quem faz crítica, as faz em coisas tão bobas… Imagine numa crise dessa alguém estar lá na Assembleia [Legislativa] criticando: cadê o 13º?. Como se fosse coisa de ‘menino buchudo’. Não tem consistência. Eu fui parlamentar de oposição 12 anos, e era de oposição mesmo, tinha matéria que eu votava em 24 horas porque era relevante. Eu jamais votaria contra um aval do Estado para salvar uma empresa pública como a Cagepa. Se eu fizesse isso, morreria com essa culpa.
– Assembleia: decidi ano passado ir para o preto no branco. Quem está [comigo], está. Quem não está, não está. É a regra da democracia. Eu não tenho problema com oposição maior ou menor. E nem faço qualquer coisa para ter maioria. Isso todo mundo sabe e se não sabe, se chegassem aqui agora, ficaria evidente isso. Nunca fiz e não vou fazer. Agora, o que eu quero daqueles que estão comigo é clareza e lealdade, que estou tendo. E quero que os demais, que porventura achem que vão estar com o Governo e ao mesmo tempo vão estar contra o Governo, dependendo das conveniências ou dos apertos, que se não é para estar com o Governo, vão sair do Governo. É assim o jogo. Lamento profundamente que isso seja feito em torno de coisas muito delicadas. A Assembleia é um poder muito importante, essencial para um processo de construção de um Estado democrático. Agora, não pode respirar golpe, não pode ficar pensando ou sonhando que vai interromper mandato de quem quer que seja.
– Regimento: eu falo de mudança no Regimento Interno, de tanta coisa. Estou tentando dizer que quem me deu o mandato foi a população, e por 150 mil votos de maioria, e não será meia dúzia de gente que vai achar que vai retirar isso porque aquele modelo de Estado que existia, que eu falei no início [da  pizza fatiada], não existe mais. O que eu digo é o seguinte: se querem ser oposição, que sejam. Que critiquem o que está errado e que digam qual o caminho.
– Golpismo: o que eu ouvi, foi dizerem: “é do Governo, vamos votar contra”. Chegando ao cúmulo de uma resolução dessa, nitidamente golpista. E, chegando ao cúmulo de prejudicar a Cagepa, que não tem culpa. A Cagepa foi estuprada e não foi no meu Governo. Tem muita gente na Assembleia que passou ou foi cúmplice disso e não fez nada. O que está acontecendo aqui dentro? Nós vamos perder uma companhia porque o povo não pode estar pagando R$ 5 milhões, R$ 6 milhões todo mês para tapar rombo. Isso chegou no limite. Eu vou construir qualquer saída que seja [para a Cagepa].
– Privatização: essa saída é qualquer uma que seja. O que o Governo não tem como, é todo mês pegar R$ 6 milhões para cobrir um rombo, para pagar juros a banco e pagar uma folha, que não para de crescer. Ao mesmo tempo é uma companhia que se sente amordaçada, que se for instalar um hidrômetro, não pode contratar uma empresa porque dizem que seria terceirização. Por conta disso, tem que contratar um concursado. Nós não estamos na época de Getúlio Vargas e a companhia não pode sobreviver dessa forma. Estou no aguardo da Justiça para que a gente possa salvar a empresa. Porque, repito, é só picuinha negar que o Estado seja avalista [do empréstimo]. Alguém negar isso e achar que está fazendo isso em nome do povo.
– Eleições municipais: Na verdade havia uma conjunção de fatores permeados por vaidades e também por uma vontade muito grande de tentar interromper um processo que tínhamos colocado em João Pessoa e que já vinha dando mostras de desvirtuamento, que não eram visíveis à população, mas que eu que tinha saído lá de dentro, sabia. Eu sei de um monte de coisa que estava fugindo daquela lógica que havia sido implementada e que era importante para nós do PSB. Uma lógica construída com muito cuidado, suor e compromisso. Mas, havia essa pactuação de tentar inviabilizar Estela [Bezerra] e, indiscutivelmente, eu posso dizer agora porque já passou a eleição, é a pessoa mais preparada para dirigir uma cidade com a complexidade de João Pessoa. Não estou falando mal de ninguém… Eu achava que qualquer processo, ele tem que avançar. Eu penso dessa forma. Eu não faço da política um meio de sobrevivência meu. Às vezes, algumas pessoas talvez até se irritem ou não acreditem, mas é exatamente isso. Eu sempre aposto no melhor, tenho feito isso constantemente. Já teve vez de eu pegar alguém com 23 anos e colocar como Chefe de Gabinete, e fazer uma aposta para formar uma pessoa. No futuro, às vezes, a pessoa faz exatamente tudo ao contrário daquilo que porventura tenha aprendido. Mas, são as curvas da vida… O processo de João Pessoa tem que dar um passo adiante e eu acho que quem pode assegurar esse passo é a população. Se ficar à espera do Governo, pode sofrer uma espécie de pasteurização, que é a destruição dos avanços por dentro. Mas, você vai ver que vão inventar muita coisa. Vão reproduzir com outra roupagem aquilo que nós fizemos em cinco anos. Não fizeram nada de novo nesses três anos e nem vão fazer agora. E dentro desse processo ocorreu um racha que teve muito mais um conteúdo ético…
– Esperava o racha?: jamais. Se alguém me dissesse que essas cinco pessoas [não citou os nomes], que nós entregamos o comando da Prefeitura e outra que eu trouxe para o Estado, que essas cinco pessoas agiriam como agiram… Se me dissessem isso a dois anos antes do ocorrido, eu teria brigado talvez fisicamente com quem me dissesse isso porque seria uma afronta. Jamais imaginaria que o nível de uma traição na política, que é tão comum, mas nesse caso não. Esse caso jamais poderia ser comum, porque a gente tem que compreender de onde e como a gente veio. Quando a gente não consegue fazer isso, se torna uma arma de descrédito para qualquer um. Porque quem faz uma coisa dessa com quem conviveu 30 anos o que é que é possível fazer com quem convive há seis, sete meses. Confiança não é algo que você extraia de um discurso, é algo que você constrói.
– Página virada: Completamente. Ainda bem que são poucas pessoas, mas demonstraram por vários motivos, eu não vou aqui discorrer, mas eu sei quais são. O poder não pode ser feito só em função da sua própria permanência. O poder não pode ser visto como alguém que ache que faz política ou que queira governar alguma coisa e ache que tem a melhor capacidade de governar. É o oportunismo de se manter no poder, mas não de governar para poder fazer com que a sociedade avance. Eu não faço isso. Eu posso até errar, como já errei várias vezes, mas eu não posso simplesmente me nortear por um sentimento que naquele momento possa ser majoritário, mas que não seja o mais correto. Não posso negar o avanço necessário às ações que são necessárias para produzir o avanço em função de uma permanência minha ou de quem quer que seja no poder sem que haja contestação. Eu realmente acho que quem pensa desse jeito não teria jamais capacidade de governar alguma coisa. E esse processo todo ficou para trás porque as pessoas serão lembradas pelo que fizeram. As pessoas confiam em quem acham que podem confiar, em quem tem histórico de confiança. Tem tanta gente que se acha esperto e caiu no ostracismo.
– 2014: a minha pauta da política é buscar fazer as coisas, construir os processos. Mesmo que eu quisesse, eu não estaria pautando 2014, estou pautando 2013. Em 2014, a população vai naturalmente sinalizar se quer o retorno dessa política da pizza fatiada em poucos pedaços, onde o povo não podia sequer chegar perto, não sobrava nada ou se quer essa nova forma. O povo vai dizer se quer essa transição, que coloca a Paraíba hoje em situações importantes.
– Relação com Cartaxo: Depende dele, não depende de mim. Eu vou continuar fazendo as mesmas coisas e vou fazer muito mais por João Pessoa. Vou fazer o viaduto do Geisel, vou fazer o Trevo de Mangabeira, já estamos fazendo a Escola Técnica, o Centro de Convenções vamos inaugurar, a Avenida Cruz das Armas já está em execução, coisas importantíssimas. Depende é dele. Ele é que sabe o que ele quer. Minha obrigação é tratar de uma forma republicana todos os prefeitos e faço isso queira o prefeito, não queira o prefeito. É claro, ao ler algumas ações, seria tão bom, tão bom não, porque tanto faz como tanto fez, mas que se desdisse aquilo que se tinha dito em relação às minhas ações enquanto prefeito e enquanto governador e, de repente, está se fazendo a mesma coisa. A questão vai ser o conteúdo dessas coisas, que eu espero que seja muito bom, que a cidade avance. Da minha parte, vou esquecer a época que ele [Luciano Cartaxo] era oposição a mim e que dizia tanta coisa que não tinha o menor fundamento sobre administração pública, sobre governança. A prática dele agora vai demonstrar de que efetivamente o que ele dizia não é condizente com o que ele faz hoje. Eu vou sempre estar à disposição, não só por ser governador do Estado, mas por morar nessa cidade e querer o melhor para ela. Agora, o tom quem dá é quem governa o município. Não serei eu a entrar na administração municipal, em nenhuma delas

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