Em discurso emocionado, Cássio afirma que ‘Asfora vive’

Na noite desta terça-feira (07), o vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), ocupou a tribuna para prestar sua homenagem ao 30º aniversário de morte do tribuno, poeta, jurista e político Raymundo Asfora. Foi um discurso lírico, cheio de saudade e encantamento. Para o senador, a Paraíba, e muito particularmente Campina Grande, chora os 30 anos do desaparecimento do “poeta extraordinário, homem público de conduta ilibada, probo, honesto, íntegro, advogado brilhante, professor, sábio, um dos maiores oradores, se não o maior orador que eu já pude testemunhar”.

Cássio sintetizou a vida de Asfora: “Nascido no Ceará, fez uma trajetória extraordinária, com múltiplos talentos. Como disse há poucos instantes, esse cearense que foi adotado pela Paraíba, e muito particularmente por Campina Grande, fez uma trajetória brilhante no Legislativo municipal, no Legislativo estadual, como deputado federal, foi, vice-prefeito de Campina Grande, vice-governador do estado da Paraíba e, como criminalista, seguramente um dos maiores nomes do Direito Penal do país. Poucos, muito poucos, como Raymundo Asfora, conseguiam ter um desempenho tão completo, tão pleno no tribunal do júri” – explicou o senador .

O senador também ressaltou a contagiante retórica poética do tribuno: “Era um homem que arrebatava multidões com a sua oratória encantadora, com a sua presença de espírito permanente, com o dom da palavra que Deus lhe concedeu e que, ao longo de sua vida, o faz merecedor de aplausos de multidões que, em silêncio, ouvia o poeta do Uirapuru declamando em prosa, proclamando o talento e, sobretudo, o compromisso maior que ele tinha com a liberdade”.

O senador fez uma confissão e contou que Asfora foi o responsável pelo ingresso de Cássio na vida político-partidária:  “Eu tenho um orgulho muito particular, que quero revelar e deixar registrado nos Anais da transmissão da TV Senado. Se hoje estou na condição de Senador, com muita honra, com muito orgulho, ocupando esta tribuna, isso se deve a um gesto de extrema generosidade de Raymundo Asfora, que foi o responsável pela minha introdução na política partidária”.

E relembrou: “Em uma entrevista à imprensa paraibana, ao anunciar que aceitaria disputar o cargo de vice-governador, cargo para o qual foi eleito ao lado de Tarcísio Burity, titular na chapa, Asfora  disse uma frase que ainda hoje ecoa como um penhor de responsabilidade que carrego, ao longo desses meus trinta anos de vida pública – abrindo aspas: “Numa homenagem às novas e futuras gerações, eu lanço o acadêmico de direito Cássio Cunha Lima como candidato a Deputado Federal.” Fecho as aspas. Sim. Foi com essa frase que Asfora me introduziu na vida pública”.

Cássio ressaltou a generosidade de Asfora, ao abrir caminho para o novo, para o jovem e abrir os braços para o futuro:  “Era da sua vocação  abrir caminhos para os jovens, desfraldar estradas e avenidas para aqueles que estão chegando. E, com essa visão de futuro e compromisso com a liberdade, me confiou essa tarefa extremamente honrosa e difícil de ser cumprida, e que tenho procurado exercê-la sempre com a memória muito viva desse exemplo que Raymundo Asfora nos deixou” – disse o senador, com a voz embargada.

Por fim, em gesto de incontestável humildade, Cássio disse: “Ocupo esta tribuna em uma fala de improviso, muito longe do merecimento de Asfora, muito distante, anos luz de distância da sua eloquência, da sua capacidade como orador, repito, um dos mais brilhantes oradores que o Brasil já teve, um dos maiores oradores que eu já pude ouvir e testemunhar – e tive esse privilégio de ver Raymundo Asfora falar. E esse homem corajoso, destemido, firme, inteligente, culto, intelectual, irreverente quando preciso, era de fato alguém que se notabilizava como um ser especial. E, por ser esse ser humano especial, ele consegue fazer aquilo que ele profetizou, ele viveu além da morte.

E finalizou o senador: “Asfora estava certíssimo quando disse: ‘A morte está enganada, eu vou viver depois dela’. Os poetas não morrem e Asfora vive – afirmou Cássio Cunha Lima.

Assessoria