Em queda, Ricardo observa seus ex-aliados nas nuvens

Com as canetas cheias, os prefeitos Luciano Cartaxo (PSD) e Romero Rodrigues (PSDB), gestores das duas maiores cidades paraibanas e dos principais colégios eleitorais do Estado, estão no segundo dia de seus novos mandatos de quatro anos. Serão eles que devem colocar as cartas na mesa da eleição de 2018, sem que possam se sentir ameaçados pelo governador Ricardo Coutinho (PSB), em fim de mandato desde o ano passado.

O cenário está inteiro favorável aos prefeitos de João Pessoa e Campina Grande, podendo eles fazerem a dobradinha da campanha estadual. Pelo menos se levado em consideração o potencial eleitoral que adquiriram durante o pleito de 2 de outubro de 2016, quando conquistaram vitórias no primeiro turno e em cima de candidatos apoiados pelo governador do Estado.

Em queda, Ricardo tenta se segurar como pode  com seus aliados. Alguns, inclusive já pedem para o lado de Cartaxo ou Romero. A propósito, é natural que isso aconteça já neste primeiro semestre do ano. É só esperar para ver o que vai acontecer e em qual circunstância ocorrerá a debandada.

Na Câmara Municipal de João Pessoa, com a eleição do vereador Marcos Vinícius (PSDB) a presidente da “Casa”, parlamentares recém empossados já começam a se coçar para ingressar na base de sustentação do prefeito. Movimentação idêntica acontece em Campina Grande, onde vereadores de oposição admitem tirar o pé no freio.

O maior receio do governador Ricardo é os deputados de sua base política não percebam que ele está em queda livre, pois quando ocorrer a bancada tende a diminuir de tamanho e nas circunstâncias atuais nada impede que os parlamentares estaduais tomem uma atitude. Mas esse cenário era fácil de ser analisado, sobretudo depois da derrota sofrida no pleito de 2016.

Agora, é esperar o tempo passar e torcer para que os prefeitos Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues não repitam as boas gestões do primeiro governo. Se acontecer é benção e tchau e até pensar em concorrer ao Senado, sem estar sentado na cadeira de governador, é um risco para Ricardo Coutinho.

Quando lançou a então candidatura de Cida Ramos a Prefeitura de João Pessoa, o governador trabalhou para elegê-la e ter um gabinete para operar politicamente. Não deu certo. Agora, sabe que sua sobrevivência depende do PMDB e aposta na divisão peemedebista para atrair o partido, quando trouxe para dentro do seu campo político o senador Raimundo Lira, de menor expressão, e o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo.

Porém, ele sabe que o peso maior é o deputado Gervásio Maia (PSB), futuro presidente da Assembleia Legislativa a partir de fevereiro; e também o deputado Trócolli Júnior (Pros). RC só tem mesmo é que apostar neles e começar a arrumar um gabinete na Prefeitura de Conde para trabalhar junto com sua aliada e prefeita recém empossada Márcia Lucena.

É só o que resta para o socialista, cuja estratégia de agora em diante é parar de brigar e tentar se conciliar a grupos liderados pelo prefeito Luciano Cartaxo, senador Cássio Cunha Lima (PSDB), José Maranhão (PMDB), Rômulo Gouveia (PSD), Romero Rodrigues (PSDB)… Esses são que detém o maior PIB eleitoral do Estado na atualidade.