Fim da amizade: Cerveró diz que Dilma a ‘jogou no fogo’

Acabou a amizade do ex-diretor da área de internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, e a presidente afastada Dilma Rousseff. Em delação premiada, ele afirma ter sido “sacaneado” por ela, a quem acusou-a “jogá-lo no fogo”. Deu-se em vídeo divulgado nesta segunda-feira (6), em confissão feita na Procuradoria-Geral da República no processo da Operação Lava Jato.

Em matéria veiculada no Diário do Poder, Cerveró disse: “Primeiro que eu conheço a Dilma, fiquei muito cabreiro. Embora eu conheça a intimidade da Dilma com o Delcídio, se a Dilma gostasse tanto assim de mim, ela não tinha me sacaneado há um ano, quase dois anos atrás, quando fugiu da responsabilidade dizendo que tinha aprovado Passadena porque eu não tinha dado as informações completas…”.

“[…] Ela me jogou no fogo, ignorou a condição de amizade que existia, que eu acreditava que existia. Trabalhei junto com ela 15 anos. E preferiu, para livrar, porque estava em época de eleição, tinha que arrumar um cristo. ‘Ah não, fui enganada’. Mentira…”.

“[…] É mentira. Dilma sabia de tudo, o tempo todo. Estatutariamente, a responsabilidade da Petrobras de aquisição de ativos pertence ao conselho”, concluiu.

O portal revela que “no último dia 2, o teor das delações de Cerveró havia sido divulgado. Em depoimento, ele garantiu que Dilma mentiu ao afirmar que ignorava os detalhes da compra superfaturada da refinaria de Passadena, nos Estados Unidos, que trouxe prejuízo aos cofres da Petrobras”.

Segue com mais informações: “O sigilo do processo foi retirado pelo ministro Teori Zavascki. Em razão do acordo, Cerveró deixará a prisão no próximo dia 24 e terá de devolver mais de R$18 milhões roubados da Petrobras” .

E concluiu: “Avaliada um pouco antes em US$42,5 milhões, a refinaria acabaria sendo adquirida pela Petrobras por US$1,3 bilhão. Na ocasião, Dilma Rousseff er a presidente do Conselho de Administração da estatal, que aprovou a compra”.