Rubens Nóbrega: Malandros adoram 2º turno

Começamos a segunda-feira (6) pós eleição de primeiro turno saboreando a coluna do jornalista Rubens Nóbrega, do Jornal da Paraíba. Então, leia abaixo:

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No segundo turno das eleições para governador na Paraíba, do ponto de vista financeiro – que costuma ser decisivo nessas horas – o ‘grande problema’ para um lado e a ‘grande solução’ para o outro será a capacidade de pagar ou não a fatura que vai chegar pelas mãos de candidatos proporcionais. A conta será inapelavelmente apresentada aos majoritários que se enfrentarão no embate final.
Não são todos, evidentemente, mas muitos dos que ganharam e, principalmente, dos que perderam a eleição para deputado federal ou estadual, baterão na porta de quem apoiou no primeiro turno para pedir uma ‘ajudinha’ com vistas a cobrir as despesas de campanha. Se aquele originalmente apoiado não tiver ‘milho na mochila’ para encher o papo do pidão, pode aguardar que quem o achaca passará de mala e cuia para o adversário.
Aí, mais do que previsível, o desertor será acolhido nas hostes inimigas, às quais entregará a preço módico redutos e votos que tem na conta de simples mercadoria. Fácil prever também que o trânsfuga ainda incluirá no pacote as informações privilegiadas e as estratégias que compartilhou na primeira fase da peleja. Entregará o ouro sem a menor cerimônia, como é próprio dos covardes que se rendem com facilidade ou se dobram sem resistência à força do poder e ao poder do dinheiro.
Não tenho dúvidas de que nesse segundo turno o ex-candidato a malandro federal ou estadual, eleito ou não, contribuirá decisivamente para ampliar as chances de vitória de quem o comprar, porque tende a reverter boa parte dos votos que direcionou para seu ex-majoritário. E lhes digo que diante de práticas assim nem o Chapolin nem os super heróis da Sala da Justiça poderão nos salvar. Porque é esse sistema de compra e venda de apoios um dos maiores responsáveis pelo atraso político e social em que vive a Paraíba.

Vive porque esse tipo de gente seguramente participará da administração do Estado na quadra vindoura. Participará como padrinho de centenas de contratações de prestadores de serviço ou nomeação de dezenas de comissionados que comem a folha de pessoal do Estado com a voracidade de uma nuvem de gafanhotos famintos.
Serão milhares de nomeados ou contratados outra vez à disposição para trabalhar na próxima campanha, fazendo o papel de diligentes cabos eleitorais. Jamais servirão a quem mais precisa, a quem mais importa. Serão milhares no lugar que por direito e competência deveria ser ocupado por qualificada força de trabalho, capaz de prestar um serviço eficiente e eficaz a quem e sustenta a máquina pública.

28 mil soldados

Segundo dados atualizados em junho deste ano pelo próprio Poder Executivo Estadual, informações oficiais disponíveis no portal do Tribunal de Contas do Estado (TCE) na Internet (sagres.tce.pb.gov.br) indicam que o exército de cabos eleitorais conta com cerca de 28 mil soldados. A grande maioria deles pode aguardar tranquila a convocação para a luta eleitoral vindoura, porque a substituição por concursados é uma miragem, uma impossibilidade garantida desde já pelos finalistas.

Troca a conta-gotas
Eis por que do ponto de vista do cidadão, contribuinte em especial, não há a menor chance de vir a ser atendido decentemente por aquele contingente que tem uma boa parcela de parasitas sem a menor aptidão para atender aos interesses daqueles que bancam essa farra. De outro lado, como sempre será a conta-gotas a troca de afilhados políticos por quem se esforça e estuda para passar num concurso público digno do nome, com potencial e conhecimentos para qualificar a relação entre governo e governados no que diz respeito às obrigações e deveres de cada um nesse processo.

Senador Maranhão
José Maranhão sai consagrado das urnas de 2014 não apenas pelo seu desempenho como candidato vitorioso para assumir a única vaga em disputa para o Senado da República. Sua eleição foi mais do que a reafirmação de sua liderança enquanto político. Sua vitória também o reafirma como referência de homem público. Somando os dois predicados, vale acreditar que ele será o interlocutor preferencial de Ricardo Coutinho ou de Cássio Cunha Lima nas tratativas sobre quem o PMDB deve ou pode apoiar no segundo turno.
Evidente que Vital Filho e Veneziano Vital terão muito peso na definição do rumo, mas o velho Zé de guerra reconquistou na grande, de forma brilhante, a sua ascendência sobre os peemedebistas, inclusive porque reconquistou também o prestígio popular que de fora pra dentro o fortalece no comando do partido. No cerco a esse apoio, Ricardo leva alguma vantagem porque tende a naturalmente a apoiar Dilma no segundo turno da eleição presidencial. E a candidata do PT, todos sabem, tem o PMDB como aliado histórico e um vice hiper afinado com Maranhão.

Lucélio mandou bem

Não deixa de ser surpreendente a performance de Lucélio Cartaxo, que passou Wilson Santiago (PTB) na reta final da corrida para o Senado e ficou em segundo lugar no páreo. O desempenho do petista dá força à liderança do irmão prefeito e, em tese, credencia Luciano a buscar uma reeleição sem o peso de um fiasco eleitoral pelo qual muita gente esperava e até torcia, a começar pelos companheiros girassolaicos.