Fórum dos Servidores pede ao MP para investigar irmão do governador e três auxiliares do Palácio

Quando parecia que tudo voltaria à normalidade, depois da comprovação do superfaturamento do helicóptero adquirido pelo governo, eis que surge o Fórum dos Servidores do Estado.

A entidade irá protocolar às 11 horas desta quinta (25), no Ministério Público, veja você, um pedido de investigação sobre denúncias que circularam nas redes sociais, informando sobre um esquema de distribuição de propinas a auxiliares do Palácio da Redenção.

Não é coisa nova. Deu-se em meados de 2011, poucos meses depois da posse de Ricardo Coutinho à frente do governo do Estado. A história é a seguinte: uma blitz de rotina da polícia interceptou um veículo da marca fox, blindado, placar DYE-5922.

Até aí tudo bem. Depois de um “pente fino” realizado no interior do veículo descobriu-se uma certa importância em dinheiro, algo em torno de R$ 81 mil, tudo em nota de dez reais, que teria sido sacado na Agência do Banco do Brasil de Benfica, em Recife.

Agora, veio o grande mistério e que precisa ser esclarecido pelos beneficiários desse dinheiro. É que junto com os R$ 81 mil a Polícia apreendeu um papel com a orientação para a distribuição dos valores. E pasmem quem seriam: Gilberto Carneiro, procurador Geral do Estado; Livânia Farias, secretária estadual de Administração; Laura Farias, superintendente da Sudema e sabe quem mais: Coriolano Coutinho, irmão do governador Ricardo Coutinho.

Nesta operação, por causa do irmão do governador e dos três auxiliares do Palácio da Redenção, foi montada uma verdadeira operação de guerra. Basta informar vocês que oito delegados – Allan Terruel, Aldrovilli Dantas, Marcos Vilela, Ramirez Pedro, Daniela Vicuuna, Dulcineide Costa, Marcos Lameirão e Jeferson Vieira –  foram convocados, em caráter extraordinário. O secretário Cláudio Lima também foi chamado.

Foi o secretário Cláudio Lima que levou o caso até Ricardo Coutinho, que teria determinado que o problema fosse “abafado” e excluído dos arquivos da Polícia da Paraíba.

Coisa seria. Muita séria.

Outro lado

Ao tomar conhecimento da divulgação da denúncia através da web, o governo levou o assunto para o lado político. Tanto é verdade que distribuiu uma nota à imprensa usando a coligação da campanha à reeleição do governador, batizada de “A Força do Trabalho”.

Num dos trechos anotou: “por meio de sua assessoria jurídica, adotará medidas cabíveis junto ao Ministério Público e a Polícia Federal no sentido de identificar os autores anônimos do conteúdo irresponsável, calunioso e depreciativo, postado contra pessoas ligadas ao governador Ricardo Coutinho, com o objetivo criminoso de tentar denegrir a imagem do chefe do Poder Executivo da Paraíba e candidato à reeleição, em pleno período de reta final da campanha eleitoral”.

E segue:

 

“Paralelo a tais medidas, o jurídico da coligação ingressará com as devidas representações judiciais contra aqueles que, com notória má-fé e interesses eleitorais escusos, se prestarem a difundir essa informação caluniosa.

De maneira sórdida e anônima, o autor do crime fez circular emails e criou um link na Internet contendo uma história fantasiosa envolvendo, irresponsavelmente, integrantes do governo e o irmão do governador. A fórmula é a mesma adotada em outras campanhas eleitorais: se aposta na impunidade e escolhe-se covardemente o anonimato, disfarce próprio de quem rasteja no subterrâneo da política, para disseminar de forma irresponsável, servindo aos interesses daqueles que se beneficiam com isso, as mais absurdas calúnias no caviloso desejo de abalar a imagem do governador Ricardo Coutinho.

A Coligação A Força do Trabalho pedirá que a Polícia Federal conduza urgentemente uma busca e identifique de onde partiu o email, que circulou para diversos endereços sob a assinatura verdadepb@mail.nu, e quem confeccionou a página na Internet, responsabilizando criminalmente o autor do material apócrifo e mentiroso, assim que ele for identificado, e descobrindo a quais interesses ele serve.  Simultaneamente, provocará ainda a Justiça Eleitoral para que tome as devidas providências em nome das garantias conferidas aos candidatos.

O fato mencionado pelo material nunca prosperou junto às autoridades competentes e foi considerado uma verdadeira trama política, tendo sido devidamente arquivado à época, após o próprio governador Ricardo Coutinho formular a denúncia ao Ministério Público do Estado, dizendo-se alvo de uma armação com objetivo de forçá-lo a tomar decisões administrativas que considerava inapropriadas ao momento.

A Coligação A Força do Trabalho lamenta que a campanha tenha chegado a um nível tão abaixo da terra e renova sua crença na Justiça, nas autoridades policiais e, principalmente, no discernimento do paraibano, que nunca se deixou ser usado nas campanhas como espectador passivo de um grande circo de horrores patrocinado pelos que desejam o retrocesso da Paraíba.”