MORRE O JORNALISTA LUISMAR Resende, ex-diretor da antiga Telpa

Morreu nesta quarta (2), o jornalista e radialista Luismar Resende, 76 anos. Fora internado no dia 25 de junho no Hospital Memorial São Francisco, após apresentar um quadro de sangramento por causa de anticoagulantes que tomava. Em conseqüência disso, sofreu complicações renais e ficou internado na UTI.

Luismar morreu às 3horas da manhã de hoje, não resistindo as complicações do problema renal. Ele era viúvo e deixa dois filhos: Ulisses Assis Neto e Lúcia de Fátima de Assis Almeida. O velório acontece na Central São Batista e o sepultamento está marcado para às 16horas, no cemitério Senhor da Boa Sentença.

Tinha um currículo invejável, conforme relato feito pelo jornalista Giovanni Meireles. Abaixo o texto:

Quem era Luismar Resende

O jornalista e também radialista exerceu na década de 80 e 90 foi diretor da antiga Telpa, bem como da Telemar da Paraíba. A partir de 1990 foi executivo da OI (empresa de telefonia móvel e fixa, ou seja, linhas convencionais).

Experiência em nível internacional

Ao longo de sua trajetória profissional bem sucedida, o executivo Luismar Resende (nascido em Campina Grande) trabalhou como repórter nos “Diários Associados”, realizou viagens de estudos a vários países da África e Europa, morou nos Estados Unidos e foi escriturário do Banco do Brasil.

De Campina para Europa e a Capital

Em maio de 1973, quando chegou de volta a João Pessoa, foi designado pela diretoria da Telebrás, para trabalhar na antiga Telpa (hoje Telemar), como gerente de Relações Institucionais, atuando de maneira fundamental no processo de incorporação da ex-empresa telefônica da Paraíba. A partir de então, ele fixou residência definitiva na Capital paraibana.

Morando nos Estados Unidos

Luismar Resende revela no livro, lembranças do tempo em que ele foi correspondente credenciado junto ao Departamento de Estado norte-americano, quando chegou a ser recebido oficialmente em visita à Casa Branca, localizada em Washington D.C. e também de quando era assessor especial do general Antônio Espínola, tido como provável futuro sucessor do presidente de Portugal, Antônio de Oliveira Salazar.

Correspondente africano

Por conta dessas funções de relevo internacional Luismar acompanhou de perto a guerra civil de Angola, de onde voltou traumatizado com a mortandade que vislumbrou, sobretudo a onda de massacres patrocinada pelos mercenários belgas que atuaram ao lado do Exército Colonial português durante o conflito, que registrou ainda a presença de tropas cubanas enviadas por Fidel Castro para apoiar as guerrilhas negras, que acabaram vencendo o conflito armado, em 1974.

Junto com o Exército de Portugal

Ele foi assessor do “General Sem Medo” Antônio Espínola, que nasceu em 1910 e faleceu em 1996. Como militar, o líder português teve ação destacada no comando do Batalhão de Cavalaria nº 345, que combateu em Angola, de 1961 a 1963. De 1968 a 1973, foi governador e comandante-chefe de Guiné-Bissau, tornando-se, em janeiro de 1974, vice-chefe do Estado Maior-General das Forças Armadas Portuguesas.

Testemunha da história

Em meados de fevereiro daquele mesmo ano, a publicação de seu livro “Portugal e o Futuro” apressou o golpe militar de 25 de abril, batizado de “Revolução dos Cravos”. Nesse dia, Espínola assumiu a presidência da Junta de Salvação Nacional e em 15 de maio, foi proclamado presidente da República.

Amizade pessoal com marechal

Demitiu-se em 30 de setembro de 1974, por divergências político-ideológicas com os dirigentes do Partido Socialista, aliados do Movimento das Forças Armadas, em relação ao processo de democratização e de descolonização em curso. Como era general de carreira desde 1969, em 1981 ele alcançou o título de marechal (maior patente do Exército português).

Revelando todos os bastidores

Luismar viu tudo isso acontecendo, bem diante dos seus olhos e agora resolveu contar tudo que testemunhou, nas páginas do livro de memórias que já está sendo finalizado por ele. Será – com absoluto grau de certeza – uma bela história de vida, cujos ensinamentos serão entregues para a posteridade, mas que fará muita gente tremer nas bases.