Cássio e Veneziano: dois líderes e um mesmo discurso, Jônatas Frazão

A liderança política de qualquer cidadão é mensurada por duas realidades: mandato ecarisma popular. Cássio, hoje, tem mandato e carisma. Veneziano, apenas o carisma. Para efeitos de comentário, vamos excluir o item ‘mandato’, até para que eu não seja crucificado por não incluir nesta análise o atual governador Ricardo Coutinho, que é uma liderança, hoje, pelo mandato que exerce, mas que de carisma deixa a desejar.
Cássio e Veneziano são dois homens públicos competentes e de extrema inteligência, isso ninguém pode negar. Ambos tem experiência administrativa, sensibilidade política e capacidade de enxergar bem à frente, aonde olhos de outros não conseguem alcançar.
Esta semana, Veneziano foi ao sertão do estado e, pelas entrevistas que concedeu e pela repercussão nas redes sociais e sites de notícias, tem uma opinião bem formada sobre as notícias das recentes adesões de prefeitos ao projeto político de reeleição do atual governador, Ricardo Coutinho.
Veneziano disse que a adesão de prefeitos é importante, mas não garante a vitória numa eleição. Segundo ele, a história mostra que vários candidatos, num passado recente da Paraíba, foram às urnas com apoio maciço da esmagadora maioria dos prefeitos e não lograram êxito. “Olha, contabilizar prefeitos adesistas é importante, mas não é fundamental e decisivo”, disse Veneziano.
Com esta afirmação, Veneziano não apenas marcou posição firme em relação a um assunto que poderia estar lhe tirando o sono, como desqualificou o discurso e a estratégia de seu concorrente direto, Ricardo Coutinho.
Dois dias depois foi a vez de Cássio comentar o assunto. Em entrevista, ele veio exatamente com o mesmo discurso de Veneziano. “O prefeito é importante no processo eleitoral, mas não garante a eleição. Quem decide eleição é o povo. Tanto faz ser senador, governador ou presidente da república. Não tem matemática, não tem regra. O que vale mesmo é a decisão livre e independente de cada eleitor, a soberania do voto”.
Cássio foi mais além em sua também estratégia de desconstruir o discurso de Ricardo Coutinho e lembrou que seu pai, Ronaldo Cunha Lima, quando disputou sua primeira eleição, tinha o apoio de apenas seis dos então 151 municípios paraibanos da época. “Eu também, em 2002, tinha o apoio de poucos prefeitos”.
É bom lembrar que na eleição passada o então candidato do PMDB José Maranhão chegou a contabilizar o apoio, no primeiro turno, de nada mais nada menos que 194, dos 223 prefeitos paraibanos. E deu no que deu.
Se continuar com essa estratégia de tentar criar cenário positivo com o anúncio de adesão de prefeitos, muitos deles, inclusive, da sua própria base aliada, como é o caso de prefeitos do PDT, PSD, DEM e outros partidos, Ricardo Coutinho poderá cair na armadilha da qual ele próprio se beneficiou em 2010.
 *professor aposentado da UFPB. Este comentário também está publicado no meu Facebook

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.