MPPB manda investigar suposto crime eleitoral em Pedras de Fogo

Em Pedras de Fogo, desde já, só as tropas federais na véspera e no dia das eleições de novembro para garantir a segurança dos candidatos e eleitores. Lá, o clima está de vaca desconhecer bezerro. A situação piorou a partir do assassinato do empresário Abson Mattos de Paiva.

Abson, como se sabe, era conhecido pelas críticas a atual administração do município. O Ministério Público da Paraíba abriu uma investigação para apurar a suposta prática de crime eleitoral cometido pelo pré-candidato a prefeito Lucas Romão. Nada a ver com o assassinato do empresário, mas uma gravação em que Romão aparece negociando a doação de duas motos em troca de apoio político.

No diálogo, além de pré-candidato a prefeito, do outro lado da linha o mototaxista Eronildo Sebastião da Silva, mais conhecido na cidade como Nildo MotoTáxi. Lembrando que Lucas é sobrinho do atual prefeito Dedé Romão. O promotor Marinho Mendes justificou a abertura da investigação, a partir de áudios apontando suposta corrupção eleitoral de Lucas Romão.

Também sob investigação o presidente da Câmara, Ninho da Mangueira. Ele teria participado da negociação ilícita. Conforme pesquisa no site do MPPB, o número da notícia de fato é 070.2020.000027. Após revelar esquema de compras de votos pelo grupo político do prefeito, Dedé Romão, e seu sobrinho Lucas Romão, Nildo registrou um boletim de ocorrência (BO) na delegacia da cidade por ameaças.

Boletim – Além de registrar o BO, ele também entregou ao Ministério Público a cópia do CD, no qual consta toda negociata com Lucas Romão e o vereador Ninho da Mangueira para da doação de três motos em troca de seu apoio nas eleições deste ano. Nildo também gravou um vídeo afirmando que se algo acontecer com ele e sua família a culpa é da família Romão. “A partir de hoje, o que acontecer comigo e com minha família, a culpa é dos Romão”, disse.

No boletim de ocorrência, Nildo diz estar amedrontado após a morte do empresário Abson Matos, que foi executado com vários tiros na cabeça no último dia 5. Abson fazia inúmeras denúncias contra o prefeito de Pedras de Fogo, Dedé Romão, e seu grupo político. Inclusive, antes de ser executo ele divulgou áudio nas redes sociais denunciando ameaças do grupo do prefeito.

Áudios – “Não iremos nos calar, não adianta está me ameaçando de morte e mandando recado por babões, dizendo que vai calar minha boca, nem que seja no chumbo. Iremos entrar com processo de ameaça, porque é inadmissível o gestor de um município entrar em desespero e ameaçar as pessoas, que estão fiscalizando a má administração que está acontecendo no município de Pedras Fogo”, declarou Abson antes da execução.

No BO, Nildo relata também que recebeu R$ 3,5 mil do grupo da situação e comprou uma motocicleta, mas que já deixou o veículo a disposição da Justiça Eleitoral para que sejam tomadas as providências legais referentes ao caso. O mototaxista disse ainda que, após a ampla repercussão do caso na mídia estadual, vários veículos começaram a passar na sua rua, com o intuito de intimidá-lo.

“O declarante por estar temeroso não está saindo de casa, com medo de ser mais uma vítima, conforme aconteceu com Abson Matos, e se algo lhe acontecer atribuirá ao grupo político da situação, em especial ao senhor Evaldo Romão, tio do pré-candidato Lucas Romão, tendo em vista ser o chefe político da situação e ter histórico de ameaças contra cidadãos que se opõem a atual gestão”, diz trecho do BO.

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