Saudades de Nelma, Lena e Eraldo nas lentes do mestre Gilvan Freire

Helder Moura publicou em seu blog artigo do mestre (meu também) Gilvan Freire sobre três perdas do jornalismo paraibano, sendo que Nelma Figueiredo ano passado, Lena Guimarães e Eraldo, que faleceram próximos um do outro.

Então, continue com a leitura abaixo, agora na crônica de Gilvan sob o título: POR RAZÕES DIVERSAS E CAMINHOS DIFERENTES, OS DE REPENTE SUMIRAM: LENA GUIMARÃES E ERALDO NÓBREGA. AONDE FORAM QUE NÀO DIZEM?

Ano passado, no mesmo silêncio atormentador e sem respostas, foi Nelma Figueiredo, como Lena deusa da mídia e das telas, ambas ainda muito jovens, bonitas e talentosas. Não deixaram despedidas nem falaram sobre os rumos do novo destino não sabido. Mas que destino?

O destino se cumpre apenas onde e quando se vive, ou também aonde se vai depois da vida ? Ou há dois destinos, um antes e outro depois da morte?

A morte é o final da linha – parou a locomotiva no tempo e esvaziou, para não ir mais a lugar nenhum. Somente o que você deixou, se deixou, ficou, e não mais para você, nada para você mais. Não há mais estradas, nem curvas, nem voltas.

De fato, a vida é um caminho acidentado, cheio de abismos por todos os lados, que leva a um lugar final e fatal, cedo ou tarde, mas invariavelmente terminal.

Uns, como Eraldo, se atiram ao abismo, encurtam a estrada, desistem da vida quando ela perde o sentido ou quando se converte em sofrimento insuportável, antes da parada final. Quando viver não basta nem retribui nem minimamente compensa ou física ou espiritualmente.

É deserção, é fuga, covardia, ou é uma simples incapacidade congênita para suportar dores e provações de muitos tons?

Mas, como compreender a cabeça de cada um nos momentos que antecedem a morte antes do que seria o tempo previsível? Especialmente dessas pessoas com grande capacidade de discernimento, racionais, maduras, conscientes? Como elas viram o seu próprio fim, como reagiram à beira do abismo fatal, o que disseram e a quem?

Qual a reação dos que sabem que estão morrendo em tempo abreviado, cumprindo um desígnio imposto, sem direito de escolher saídas?

De Eraldo se sabe que era a morte e não a vida que comandava seus impulsos existenciais. De tantas ideias bacanas que povoavam seu cérebro, quase todas cediam lugar para uma intrusa, invasora, que predominava sobre as demais: a ideia recorrente da morte, com força dominadora: uma anomalia congênita de sua cabeça privilegiada, benigna, dócil e altruísta.

À doutora Lúcia Ramalho, uma dos amigos mais solidários que encontrou pela estrada, confidenciava com constância, mais ainda nesse últimos tempos de escuridão solitária, que pela sua cabeça a ideia da morte estava minando e dominando a sua autodeterminação. O abismo era psíquico, mas com força para ejetar um corpo das alturas.

De Nelma e Lena, sabe-se que morreram resignadas, apegadas a um sentimento de Fé que já cultivavam antes, na crença de estavam indo ao encontro com Deus, um ponto além da reta final, onde não transita mais a locomotiva do tempo, simplesmente porque não há mais tempo, e sim a eternidade. Lugar dos filhos do Pai, para onde certamente deverá ter ido também Eraldo.

De qualquer forma, todos queremos que eles tenham, ao menos imaginariamente, um lugar de bom descanso, ainda que invisível e improvável, porque a estrada da vida terminou para eles, sem curvas e sem retornos. Mas é certo que viverão nas boas lembranças dos que ficam e que os admiravam e os amavam por razões merecidas.

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