Cássio, com atraso, reage contra a não-cassação de RC

Com atraso, pois a reação deveria ter ocorrido antes do julgamento, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) veio à boca do palco e abriu fogo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB). Deu-se nesta segunda-feira (8), durante entrevista ao programa Rádio Verdade, da Arapuan. Com o microfone nas mãos disse “usou dois pesos e duas medidas”, uma semana depois da Corte absolver o governador Ricardo Coutinho (PSB) na chamada AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) da PBPrev.

Lembrou que o julgamento que cassou o seu mandato foi concluído em apenas seis meses, que a sessão durou 40 minutos, sem pedido vista, enquanto no caso da AIJE da PBPrev levou quase três meses. E pontuou: “O que eu sempre defendi foi a isonomia, o mesmo tratamento dispensado ao governador (RC)”. Esqueceu, porém, que a composição atual do TRE é diferente o da época do “Caso Fac”.

Em relação a sua cassação, o TRE entendeu que houve “um gasto astronômico de 3 milhões de reais, em um programa que sempre existiu, enquanto o governador usou 8 milhões de reais no caso da PBPrev, durante o período vedado”. Continuando, pior: “Reconheceu que houve abuso, não entendeu que era suficiente para cassar o governador. Não dá pra entender”.

Sobre a AIJE do Empreender, também lamentou a morosidade: “Como não querem cassar o governador, não colocam o Empreender para julgar. Isso está muito claro. Pois, as irregularidades praticadas são muito graves. Como o TRE não quer cassar o governador, não coloca o processo para julgar.”

Vale a pena lembrar que a cassação do então governador Cássio Cunha Lima aconteceu após uma ação do minúsculo PCB, partido que era da base de Ricardo Coutinho, na época prefeito de João Pessoa e que, depois, tornou-se aliado do socialista na campanha de 2010.