Romero não quer saber do noticiário; está encrencado

É preciso manter a ordem e isso o Ministério Público Federal está fazendo. Seja ocupando espaço importante na força tarefa da Operação Lava Jato, que envolve crime de corrupção das mais variadas espécies, ou nos estados e municípios. Ninguém escapa. Por aqui, quem está no olho do furacão é o prefeito de Campina Grande, o recém reeleito Romero Rodrigues (PSDB). Ele ganhou fácil as eleições no primeiro turno.

Mas a preferência do eleitor demonstrada durante as eleições municipais não dá o direito do prefeito Romero de praticar malfeitos, conforme exposto na denuncia do MPF, através da Procuradoria Regional da República. RR teria praticado crime de fraude à execução. Ele é o procurador do Município, José Fernandes Mariz, também o médico psiquiatra João Ribeiro.

Os três encrencados na acusação de simular as desapropriações do edifício onde funcionava o Hospital João Ribeiro, no bairro da Liberdade, e o Sítio Louzeiro, na zona Rural de Campina Grande. É coisa muito séria, que pode resultar em penalidade que custaria muito caro para um político promissor.

Um dos trechos da denúncia do MPF diz: “Atos praticados por Romero Rodrigues Veiga, sob orientação do procurador-geral do município, José Fernandes Mariz, visavam a beneficiar o médico João Ribeiro”.

Há uma dezena de ações de execução fiscal contra João Ribeiro, entre elas dívidas fiscais que ele tem como contribuinte. Tem mais: o médico é cobrado na condição de responsável tributário por débitos do Instituto Campinense de Neuropsiquiatria e Reabilitação, em valor total que passa de R$ 5 milhões. Em função dessas ações, a União obteve, de 2010 a 2013, diversas penhoras sobre o prédio do Hospital João Ribeiro e o Sítio Louzeiro.

No escrito, o MPF fala, ainda, em acordos em que o credor aceita receber do devedor um bem que substitua o dinheiro necessário à quitação de sua dívida, disfarçadas de expropriações realizadas pelo município. Dessa maneira, conseguiram burlar as penhoras realizadas pela União.

Sorte, ou azar, é que Romero Rodrigues será julgado pelo Tribunal Regional Federal da Quinta Região, em Recife e não pela Justiça Federal da Paraíba. Por ser prefeito, ele tem foro especial por prerrogativa de função. No entanto, depois dessa denúncia, vai estar sendo monitorado noite e dia.