Para não ser preso, presidente da Claro recorre a Justiça

Decerto, você nunca ouviu falar dele. Mas pode ser considerado o inimigo número um dos usuários de telefonia móvel. Chama-se José Antônio Guaraldi Félix, presidente da Claro. Para não ser preso a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que funciona na Assembleia Legislativa sob a presidência do deputado João Gonçalves (PDT), ele ingressou com um habeas corpus preventivo no Tribunal de Justiça da Paraíba. Os advogados pedem urgência na concessão de liminar e não deverá sucesso.

Não deverá escapar da prisão, porque não tem respeitado a convocação da comissão. A CPI, inclusive já está pedindo a intervenção da Polícia Federal e propõe uma operação já batizada de “Alô!”. As prisões dos manda chuva das operadoras devem acontecer por causa da necessidade de se aprofundar em denúncias de sonegação fiscal, além de obtenção de lucros altíssimos em cima dos usuários de telefonia móvel.

Na investigação parlamentar há informação que as empresas pouco estão ligando para Termo de Ajustamento de Conduto (TAC), utilizada pelo Ministério Público para reparar ou prevenir um dano; ou multas que recebem por reclamações de usuários. Chegam a dizer que são pagas em cotas extras arrecadadas de cada um dos consumidores.

Guaraldi deverá prestar depoimento perante a CPI da Telefonia nesta segunda-feira (20). Se não comparecer poderá sofrer sanções a serem impostas pelas comissão, inclusive com pedido de prisão, caso se negue a prestar esclarecimentos. O deputado-presidente João Gonçalves informou que as operadoras já ingressaram com quatro ações na Justiça, uma delas pedindo a extinção da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Gonçalves disse que não é propósito da CPI constranger e alega respeito a Constituição, “mas não venha achar que aqui é uma casa de festa”, advertiu o presidente da CPI, que concluiu afirmando: “Aqui é uma casa de trabalho e de compromisso”.

A julgar pelo que vem ocorrendo no Brasil, é possível que esteja surgindo na Paraíba uma investigação idêntica a Operação Lava Jato – guardando as devidas proporções -, comandada pelo juiz federal Sérgio Moro, onde, talvez, o maior empresário de empreiteira do país está preso há quase um ano. Marcelo Ordebrech está comendo “o pão que o diabo amassou”.