Em entrevista ao blog do Josias (Souza), o senador Raimundo Lira (PMDB) disse que os próximos 12 dias irá se dedicar a análise das denúncias recebidas pelo Senado no começo desde semana recebidas da Câmara Federal. Como se sabe, Lira foi indicado pelo líder da bancada peemedebistas, o também senador Eunício Oliveira (CE), para presidir a comissão do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Nas mãos do senador paraibano estão o destino de Dilma. Então continue com a leitura na entrevista concedida pelo senador Raimundo Lira, que ganhou destaque da mídia nacional.
— Já tem uma ideia da linha que adotará na presidência da comissão do impeachment? Tenho metas traçadas. Terei um comportamento suprapartidário. Informei isso ao senador Eunício Oliveira (PMDB), meu líder, que me conferiu essa missão tão relevante. Também decidi que terei uma postura neutra em relação ao objeto de discussão da comissão. Farei o possível para que executemos nosso trabalho com calma, temperança e objetividade.
— Quando será instalada a comissão? Na segunda-feira, a comissão será formalizada no plenário do Senado, com as indicações dos nomes de todos os seus membros. A primeira reunião, para a eleição do presidente e do relator, será na terça-feira às 10h.
— Já planejou o trabalho? Já formei uma equipe de regimentalistas e especialistas em direito constitucional e na lei de 1950 que regulamenta o processo de impeachment. Não vou viajar, ficarei em Brasília. Vamos trabalhar nesta sexta-feira, a partir das 10h. Tudo para que, na segunda-feira, a gente já esteja totalmente inteirado sobre os ritos e prazos. Quero estar em condições de responder a todas as questões de ordem que vão surgir durante os trabalhos da comissão.
— Pretende acelerar o desfecho da comissão? Não vou encurtar o processo nem vou esticar. Usarei o prazo regimental. Farei isso porque, no momento em que você encurta os prazos, pode prejudicar a defesa. E minha intenção é utilizar o prazo máximo permitido.
— Que prazo é esse? Pelas informações prévias que obtive, o rito da comissão vai durar entre dez e 12 dias. São dez dias úteis. Falo em 12 dias porque tem o final de semana pelo meio.
— Portanto, dentro de no máximo 12 dias a comissão estará em condições de apreciar um relatório sobre a admissibilidade do impeachment? Exatamente.
— Nesta fase, há espaço para a manifestação da defesa ou a presidente se defenderá apenas na etapa posterior, de julgamento? Existem diferenças entre o funcionamento da comissão do Senado e a da Câmara. Parece que não está previsto o exercício da defesa nessa fase atual. Mas, se não houver nenhum tipo de impedimento, no que depender da minha decisão pessoal, abrirei espaço para que a defesa venha se pronunciar na comissão.
— Ainda que não haja previsão regimental, sua intenção é de abrir espaço para a defesa? Exatamente. Naquilo que não for previsto regimentalmente, depende da decisão do presidente. E, no que depender de mim, darei o máximo de condições à defesa. Estamos tratando de um assunto de grande relevância.
— Já conversou com o senador tucano Antonio Anastasia, que deve ser o relator da comissão? Ainda não conversarmos. Mas, se o relator for o senador Anastasia, terei enorme prazer de trabalhar com ele. É muito sério, correto, competente e moderado.
— O PMDB tinha a prerrogativa de escolher o posto de relator. Por que optou pela presidência? Creio que o líder Eunício Oliveira fez essa opção porque o relatório pode, eventualmente, beneficiar o vice-presidente Michel Temer. Então, não seria bom que o trabalho fosse confundido com a defesa de interesse próprio ou partidário.
