Rubens Nóbrega e “O esquilo pelado”, tema de sua coluna no JPA

Um minuto de sua atenção para o artigo do jornalista Rubens Nóbrega, cuja obra está inserida na edição desta terça (30) do Jornal da Paraíba. Então, leia abaixo:

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 “O helicóptero usado que o Governo do Estado comprou para a nossa Polícia por mais de R$ 9,6 milhões (quando um novo, zero, custaria em torno de R$ 8 milhões) serviria por enquanto para muita coisa, menos para o serviço de segurança pública. Pode servir, por exemplo, para voos de exibição, passeios turísticos e até mesmo transporte de material de qualquer tipo ou gênero, inclusive dinheiro em grande volume, sem o risco de abordagens inconvenientes. O bicho, um Esquilo B2 fabricado há quatro anos ou mais, só não serve para missões policiais de combate ao crime porque não tem sequer a blindagem necessária para proteger minimamente sua tripulação em eventual confronto armado com bandidos. Pra vocês terem uma ideia, nem os bancos da aeronave têm a proteção adequada para aguentar bala de pistolas ou fuzis comumente usados pelos pistoleiros do tráfico de drogas, por exemplo.

A falta de uma blindagem digna do nome eleva a uma altitude acima da estratosfera o risco desse helicóptero nos usos para os quais foi adquirido. Mas, como nada é tão ruim que não possa piorar na Paraíba de agora, o aparelho foi recebido pelo governo que aí está sem ter pelo menos seguro aeronáutico. Como se não bastasse, o Esquilo também veio pelado (ou seria depenado?) de diversos instrumentos e equipamentos vitais para as operações que justificariam a milionária aquisição. Digo assim porque tais informações encontram-se relacionadas em documento oficial assinado por pilotos da Polícia Militar e um mecânico especializado.

Eles formaram comissão nomeada pelo próprio governo em julho passado. Tinham como tarefa receber formalmente o helicóptero, mas se recusaram a fazê-lo porque faltavam itens importantíssimos exigidos no edital da licitação e previstos no contrato através do qual foi consumada a polêmica compra que, além de tudo, apresenta indícios de superfaturamento.

R$ 1,5 milhão a mais
A suspeita de sobrepreço está baseada no fato de o lance vitorioso no pregão realizado ano passado ter alcançado R$ 8,1 milhões, mas o Estado acabou pagando mais R$ 1,5 milhão ao licitante vitorioso. Trata-se, no caso, de uma firma norte-americana com sede na Flórida. A empresa atende pelo nome de Tradewinds Aircraft. É a mesma que há dois anos vendeu um avião – um King Air usado – ao mesmo governo que hoje justifica o plus desembolsado em benefício do fornecedor com supostas despesas suplementares para adequação e internalização da aeronave. Mas quem participou da licitação sabia da obrigação de prover tudo aquilo sem receber um centavo a mais do Estado, pois o valor do lance final deveria cobrir todos os gastos com taxas de importação e o material extra destinado a fazer do Esquilo um helicóptero bom para busca, resgate, salvamento e combate.

O que está faltando
Além do seguro aeronáutico, o Esquilo B2 que custou quase R$ 10 milhões ao contribuinte paraibano chegou ao Estado há três semanas sem os seguintes equipamentos, instrumentos e utensílios listados pela comissão encarregada de receber o bicho: dez capacetes de voo, fonte externa portátil, kit de lavagem de compressor, kit de ferramentas, farol de busca de 30 milhões de velas, slings de salvamento, puçá, cesto, proteção balística para assentos, protetor inox dos esquis, manual em português, certificado de aeronavegabilidade, matrícula brasileira e empresa homologada para vistoria técnica de manutenção. Vou dizer amanhã pra que serve, o preço médio e qual a importância dos principais itens em falta.

Encenação possível
Colocarei o leitor a par das serventias e custos dos acessórios do helicóptero graças a subsídios valiosos de gente que conhece tudo e mais um pouco sobre o assunto e me garante que todo o processo de aquisição do nosso Esquilo B2 é “escandaloso”, “vergonhoso”, para dizer o mínimo. Como escandalosa será a providência que nossas autoridades poderiam tomar para desmentir estas informações, segundo os mesmos colaboradores. E o que poderiam fazer? “Eu não quero acreditar”, como diria Gosto Ruim, mas soube ontem que seriam capazes até de tomar emprestado o que está faltando no vizinho Pernambuco. Tudo para equipar a aeronave nas carreiras e mostrar à imprensa que essas informações não passam de mais uma ‘armação’ para prejudicar a imagem do governador.

Mais um absurdo
Soube ontem que o Capitão Álvaro Cavalcante Filho, da PM da Paraíba, foi enviado em 2011 ao Ceará para fazer um curso de piloto de helicóptero. Foram 70 horas de instrução que o habilitaram a pilotar especialmente o Esquilo B2. Detalhe: cada hora de aula com uma máquina dessas não sai por menos de R$ 6.800,00. Soube também, todavia, que por pura perseguição o capitão voador está sem voar. Procurado pelo colunista para explicar porque estaria sendo preterido, escanteado mesmo, ele se recusou a prestar qualquer declaração. Colegas seus garantem, contudo, que ele é mais uma vítima da mesquinharia política que grassa na administração estadual sob o regime vigente, que não se importaria um tico em desperdiçar um investimento de mais de R$ 400 mil que o erário bancou para qualificar uma força de trabalho tão especial quanto o Capitão Álvaro. Contanto que as vaidades e ruindades poderosas da vez sejam contempladas, o resto que se exploda…”