Veja abaixo “Menos escolas, mais violência”, tema da coluna de Rubens Nóbrega na edição desta quinta (28), do Jornal da Paraíba:
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“O fechamento de mais de 200 escolas públicas por decisão doatual Governo do Estado é assunto para render uma eternidade, porque seus malefícios afetarão no mínimo mais três ou quatro gerações de paraibanos. Fiquei ainda mais convencido desse penoso e lamentável desdobramento depois de ler ontem escrito de altíssima qualidade intitulado ‘Juventude ameaçada’, obra da inteligência, experiência e conhecimentos do consultor e executivoJoão Manuel Lima de Farias.
Administrador de Empresas com pós-graduação em Administração Financeira e uma carreira de 35 anos, “com resultados comprovados em empresas públicas e privadas de médio e grande porte nos segmentos, financeiro, industrial e administração pública”, conforme peguei num perfil dele na Internet, ele mostra com dados e argumentos irrefutáveis o quanto o fechamento de escolas contribui para aumentar a violência na Paraíba.Começando pela consequência mais desastrosa e danosa do deplorável ato governamental: a impressionante redução do número de alunos matriculados na rede de ensino mantida pelo Estado.
“A Paraíba perdeu 101.358 vagas nas escolas, segundo dados do Ministério da Educação, passando de 358.618 vagas em 2008 para 256.760 vagas em 2013, uma redução de 28,4%. Especificamente no Ensino Médio, foram 16.680 vagas perdidas, passando de 127.509 para 110.829 no mesmo período, queda de 13%. Estes números são mais dramáticos no ensino médio, onde registra-se uma queda de quase 63% das vagas oferecidas”, informa.
Vejam agora o que diz João Manuel sobre o que esses números representam para um Estado com elevados índices de analfabetismo de um lado e, do outro, milhares de crianças e adolescentes fora da escola, extremamente vulneráveis diante da criminalidade que quando não os elimina os envolve no tráfico e consumo de drogas:
– A Paraíba tem, atualmente, 35 mil usuários de crack e o que mais preocupa é que 62% dos dependentes dessa droga são crianças e adolescentes com idade entre 10 e 18 anos. Significa que 21,7 mil jovens paraibanos já estiveram em contato com o crack, sendo que 8,7 mil usuários têm entre 10 e 14 anos de idade e outros 13 mil estão na faixa etária dos 14 aos 18 anos. Além disso, 80% dos crimes violentos ocorridos no estado é uma consequência do uso da droga. Os dados são do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (Cebrid).
Formando criminosos
João Manuel alerta que o tráfico de drogas é, sem dúvida, “a maior e a mais explícita”forma de violência contra os nossos jovens; vale dizer, contra o nosso futuro. Porque esse tipo de violência “tem o poder de dilacerar toda uma sociedade”, na medida em que é “responsável pela manutenção dos usuários como também pelo recrutamento dos futuros criminosos”. Além disso, complementa, “a violência gerada pelas disputas de pontos de vendas da droga e pelo armamento adquirido para a defesa interna e contra a polícia são as razões pelas quais pode-se afirmar que quem compra drogas é o principal patrocinador da violência”.
Aumento de homicídios
Citando o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), João Manuel constata ainda que “o número de jovens envolvidos em delitos relacionados ao tráfico de drogas passou de 0,5% em 2002 para cerca de 13% nos dias atuais”. Daí vem o “brutal incremento dos homicídios” que ceifam a vida de jovens a partir dos 13 anos de idade: “As taxas pulam de 4,0 homicídios por 100 mil para 75,0 na idade de 21 anos”, de acordo com as estatísticas que compõem o Mapa da Violência 2014. “Na Paraíba, especificamente, o número de homicídios saiu de 620 em 2003 para 1.528 em 2012, um aumento de 146%”, fazendo com que a taxa de homicídios por 100 mil habitantes saísse de 17,6 em 2003 para 40,1 em 2012.
“A Paraíba hoje é o quinto pior Estado da Federação em crescimento de homicídios.Mas é entre a população jovem que estes números são mais perversos. Saímos de 344 mortes entre jovens em 2003 para 906 em 2012, ou seja um crescimento de 163%, ocupando a Paraíba novamente o quinto lugar entre os Estados mais violentos em termos de mortes por violência entre jovens”, observa o consultor, lembrando ainda que “João Pessoa é hoje a terceira pior cidade do País em número de mortes por 100 mil habitantes com 76,6 mortes, bastante superior à média nacional de 38,5 mortes”.
O que fazer, então?
A essa pergunta, João Manuel responde com extremada lucidez e irretorquível clarividência: “Para combater o uso de drogas e a violência, a melhor solução para o problema inclusive não é nada inovador, porém é um caminho muito mais fácil, barato e menos traumático: a educação. E isso não é só responsabilidade da escola, mas principalmente dos pais. Com uma verdadeira educação que combine ensino teórico e valores morais e éticos (saber o que é certo e errado e quais os limites da liberdade de cada um), bem como que aproxime a escola das famílias, incentivando os pais a contribuir verdadeiramente para a aprendizagem de seus filhos, aí, sim, ter-se-á uma real política contra as drogas e outros males sociais.Ao aplicar nossos esforços em favor de uma educação de qualidade, o único risco que se corre é tornar melhor a vida de cada pessoa, e, consequentemente da sociedade como um todo.Portanto, fechar vagas em Escolas e negar acesso à Educação é jogar gasolina na fogueira que está consumindo nossa juventude e nos remete a repensar esta estratégia antes que o problema se torne mais sério do que já está”.
