Gilvan Freire: ‘RC quer apoios. Mesmo falsos’

Brilhante advogado, Gilvan Freire levou às páginas do wscom.com.br mais uma artigo de sua obra literária “Previsões políticas de um vidente cego”.
Para facilitar a vida dos interessados, vai abaixo:

“Dizia-se de caruaru, quando fundou a sua primeira faculdade de Direito, alguns anos atrás, que quem entrasse em seu prédio a fim de tirar uma informação apenas sobre o curso já estava automaticamente matriculado, e, cinco depois, adquiria o direito ao diploma.
Em Recife, havia por essa época, um colégio famoso, salvo engano o Carneiro Leão, que era conhecido pela abreviatura jocosa de PP – pagou, passou, estabelecimento que teve alguns similares pelo Nordeste, inclusive em João Pessoa, com outros nomes. Eram assim: passou na frente do prédio estava matriculado, com direito a não assistir aulas e receber o diploma em pouco tempo. Foram grandiosas instituições educativas estelionatárias do país, formadoras de analfabetos e falsários a busca de canudos e pouco saber.
Ricardo Coutinho está transportando para a atividade política essa velha experiência de ensino, e elegeu o palácio do governo como sede do estelionato eleitoral, onde pessoas mal entram em suas dependências e já são anunciadas como adesistas.
Primeiro RC fez um encontro de prefeitos, para onde acorreram quase todos do Estado a procura de convênios e recursos fáceis, mesmo que aquele dinheiro (uma ninharia no seu total) fosse da obrigação constitucional do governo para com a saúde e a educação pela Paraíba a fora. É verdade que RC poderia gastá-lo diretamente nos municípios, sem precisar dos prefeitos, mas, usando os gestores municipais, passa a ideia de que quer ajudá-los. E prefeito, como os ursos, gostam de pão com manteiga na venta.
Tudo seria razoável se esses recursos não fossem iscas em anzol pelo qual RC fisga os mais famintos e gulosos, a fim de que saiam de onde estavam e se rendam a força mágica do pescador. Mas prefeito é peixe fácil de pescar (sempre foi), o que falta às vezes é um anzol certo e uma isca saborosa, quando não um pescador mágico, desses que hipnotizam as presas e puxam a seus pés. E elas vêm dóceis, abrindo a boca, quietas e mastigando a isca. No final, só sobra o anzol, mas alguns peixes o engolem e ainda carregam a linha.
CONTUDO, EMBORA ESSA UNIVERSIDADE DE TRAQUINAGEM ESTEJA ABERTA e funcionando a pleno vapor, na Paraíba, RC não precisou inovar em nada a velha prática da faculdade de caruaru, do colégio Carneiro Leão, talvez porque a nova clientela, agora no campo político, esteja mais carente de facilidades e contracultura do que os espertos alunos daqueles tempos.
É assim: mesmo tendo feito aquele imenso encontro de prefeitos, semana passada, RC nada anunciou de atrativo lá, e os edis, por sua vez, nada disseram de animador a RC. Houve apenas uma troca de olhares entre os peixes e o pescador, mas o anzol e a isca não foram mostrados. Pelo menos, até ai, os gestores não se deixaram hipnotizar pelo aprisionador.
RC então mudou de tática e passou a semana toda chamando prefeitos a seu gabinete, e ali mostra a isca a peixes agonizantes a falta d’água, e eles abrem a boca e mastigam em seco, até que o pescador os hipnotiza. E funciona.
Mas, como peixe de boca cheia não fala, é RC quem declara aos quatro ventos que eles estão fisgados. A opinião pública é sacudida por esse espetáculo de divulgação, sem que os peixes nada digam, enquanto a isca do povo faz a generosidade (ou a perversidade) de alimentar peixes fora do aquário, às escondidas, para saciar apenas a vontade e os instintos do pescador. Mas, como acontece em muitas pescarias, e porque RC não tá pescando curimatãs mas traíras pode ocorrer desses peixes espertos fisgarem a isca, engolirem o anzol, puxarem a linha e arrastarem o pescador ao afogamento. Deverá ser assim.”

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