Somos todos Roberto Cavalcanti na disputa por vaga na Academia

Walter Santos publicou no seu Wscom que o empresário Roberto Cavalcanti, ex-senador da República, apresentou candidatura a vaga de Carlos Romero na APL – Academia Paraibana de Letras, um nome que, aliás, dispensa maiores comentários sobre sua capacidade no campo literário.

Escreveu que Cavalcanti “se mostra seguro e amadurecido para ser um membro da APL de valor, à altura do pai pernambucano, o antropólogo Renê Ribeiro, um dos mais estudiosos sobre a influência afro no universo nordestino.

Disse mais: “Roberto Cavalcanti é pragmático. Embora saída da força do saldo paterno, ele tem outra natureza conservadora, mesmo assim entende ser importante conviver com a diferença”.

E arremata com o pensamento do empresário sobre o atual momento vivido pelo Brasil, sem descartar que existem caminhos para a superação. “Precisamos dar um novo passo adiante mesmo com as intolerâncias”.

É preciso, pois, evitar que algum forasteiro desça de paraquedas para ocupar a vaga do escrito Carlos Romero. Por isso, desde já, somos todos Roberto Cavalcanti.

One comment

  1. Prezado Marconi
    Boa tarde!
    Como não me considero um forasteiro, até porque sou paraibano da gema e tenho grande afinidade literária com meu pai, permita-me lhe dizer porque julgo preencher os critérios exigidos para integrar a Academia Paraibana de Letras, que se definem por “singular contribuição às letras, às artes ou à ciência”.

    Note-se que na definição de “singularidade” reside o atributo daquilo que é único, distinto, incomum, significativo, especial. Posso considerar que minha contribuição às letras paraibanas guarda esses atributos, pois está vastamente registrada na produção literária veiculada, por cerca de 20 anos, na imprensa paraibana, seja em jornais, revista ins, portais, livro publicado, predominantemente na forma de narrativa estilística classificada na literatura como crônica.

    No campo das artes, contribui como arquiteto atuante, há 37 anos, realizando inúmeros projetos de arquitetura que se inseriram com manifesta notoriedade no cenário urbano da cidade, com resultados estéticos publicamente reconhecidos pela comunidade paraibana. Além de ter sido diplomado como Bacharel em Música, sob a orientação acadêmica exclusiva, na classe de piano, do maestro e compositor José Alberto Kaplan, na Universidade Federal da Paraíba.

    Também criei e produzi programas e documentários turísticos e culturais que foram veiculados pelas TVs locais, durante vários anos, com grande repercussão no meio jornalístico e na população em geral, com manifestações registradas em diversos meios de comunicação.

    Minha formação cultural tem particular origem genética, na pessoa de meu avô materno, arquiteto Clodoaldo Gouveia, cuja obra foi responsável pela introdução de excepcionais exemplos de arquitetura moderna na Paraíba, na década de 40. Assim como de meu avô paterno, José Augusto Romero, escritor, colaborador de jornais e autor do livro Lições da Vida Maior, com crônicas inspiradas no Evangelho e na Doutrina Espírita, tendo sido presidente da Federação Espírita Paraibana por 44 anos consecutivos.

    Com meu pai, Carlos Romero, protagonizamos um caso inédito nas letras paraibanas, de pai e filho que escreveram simultaneamente, por quase 20 anos, em jornais e revistas paraibanos, assinando colunas semanais, a exemplo de A União, Correio da Paraíba, Contraponto e na revista Tribuna Espírita. Além de termos lançado livros de crônicas juntos, na mesma noite de autógrafos, e recebido comendas de reconhecimento pela contribuição cultural dada à cidade, igualmente na mesma solenidade, que teve lugar na Câmara Municipal de João Pessoa.

    Além do conjunto de contribuição singular às letras e às artes paraibanas, resumidos acima, existe grande afinidade na essência da linguagem e da mensagem que caracterizam a mesma forma de escrita registrada nas crônicas publicadas ao longo de todos esses anos, por mim e por meu pai, Carlos Romero. Esse perfil intelectual comum, assim como o lado afetivo que nos uniu em uma amizade profunda e especial, frequentemente mencionada em manifestações públicas de amigos e leitores, também me estimularam a concorrer à cadeira deixada por ele na Academia Paraibana de Letras. Esse era um desejo que ele confessava na intimidade, ao qual eu procurava não estimular porque implicava em nossa separação.

    Caso se concretize a sucessão a que me proponho, será o segundo caso na história da Academia Paraibana de Letras de um filho que passou a ocupar a cadeira do pai. Na sucessão do imortal J. Veiga Júnior, formou-se um grupo de acadêmicos que procurou o seu filho, jurista Gláucio Veiga, para propor que ele se candidatasse à vaga deixada pelo pai, como forma de homenageá-lo, elegendo-o posteriormente por unanimidade.

    Evidentemente que a questão hereditária entre mim e Carlos Romero é mera coincidência, considerando a nossa singular contribuição às letras e às artes paraibanas. Mas, é inegável que uma justa e merecida homenagem se prestaria ao saudoso imortal, caso os ilustres acadêmicos vislumbrem, além dos méritos que pude colecionar ao longo da vida, a possibilidade de me eleger para ocupar a sua cadeira. Afinal, era igualmente notória a afeição que meu pai desfrutava com todos os seus confrades, numa convivência extremamente respeitosa e fraternal, muitas vezes em minha companhia.

    Se Deus quiser, tudo isso terá o merecido peso na decisão criteriosa dos membros de uma das mais veneráveis instituições paraibanas.

    (Germano Romero)

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