‘Codificados’ fizeram diferença na campanha de 2014

O Governo Ricardo Coutinho, como se sabe, engordou a folha de pagamento com os chamados “codificados”, uma categoria de servidor contratado sem concurso público. Basta o número do CPF e pronto. Só na Secretaria de Saúde do Estado tem aos montes. Segundo o Tribunal de Contas (TCE), eles ultrapassam a oito mil. Chefe de Gabinete do governador, o ex-vice-prefeito Nonato Bandeira (PPS) pode ter contrariado o morubixaba do Palácio da Redenção ao defender o concurso.

Também, pode estar querendo livrar a cara do chefe acerca da demissões dos “codificados”. Em entrevista a um blog do Gordinho, Nonato pontuou: “Eu tenho uma posição muito transparente, porque antes de ser chefe de gabinete, eu sou jornalista e cidadão. Eu acho o codificado uma anomalia do serviço público, como eu também acho o prestador de serviço. É uma forma de todos os governos, inclusive o Tribunal de Contas, que está cheio também de prestador, de burlar a lei”.

Não é o que acha o governador Ricardo Coutinho, cuja folha inchou por causa da grande quantidade de prestadores e “codificados”. Basta lembrar que o TCE recomendou que o Governo do Estado reavaliasse o segundo caso, tendo em vista que os gastos com a folha de pessoal extrapolou os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Por ter ficado afastado do governo socialista por mais de quatro anos, a partir do momento do rompimento com o governador, Nonato esqueceu que nesta gestão não tem relação republicana como ele acha que existe. E mudou o foco: “Eu acho que deveria acabar com isso e só termos concurso público no Brasil, sem indicação de político, sem dever favor a ninguém, para que se preste serviço com dignidade”.

Em suma: Nonato pode estar antevendo a repercussão negativa com as demissões em massa que estão por vir. Fez isso em 2011, quando até suicídios aconteceu, e fará novamente com aqueles que foram às ruas pedir voto para o chefe na campanha à reeleição de 2014.

Por isso, os “codificados” e mais de oito mil deles só na Saúde estadual. Sem eles, o governador não teria sido reeleito. Lembram: recrutaram até presidiários para trabalhar na campanha.