Eleito senador na campanha e 2010, Vital do Rêgo Filho não cumpriu seu mandato de 8 anos por inteiro, que deveria ser concluído em 2018. Optou por concorrer a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), cargo que ocupa atualmente por delegação do Senado e da Presidência da República. Chegou lá sem qualquer contestação de quem quer que seja.
Mantinha-se como um personagem intocável dentro de um Corte onde se exige respeito. É assim que os integrantes do alto escalão do TCU se consideram e se vêem no mesmo nível dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou de outras órgãos superiores da Justiça. O que ninguém esperava é que Vitalzinho fosse “contaminar” o TC da União.
Veio de onde veio – Senado – não poderia ser diferente. Vitalzinho chegou forte para dentro do processo da Operação Lava Jato. É um dos investigados do juiz federal Sérgio Moro, temido pelos políticos, empresários e agora ministro do TCU. Comandou a CPMI – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito – da Petrobras do Senado. Foi aí que apareceu como uma suposta beneficiário de um propina na ordem de R$ 5 milhões.
Quem entregou Vitalzinho ao juiz Sérgio Moro foi o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. Deu-se nesta terça-feira (13), em depoimento de delação premiada. Acusou Vital, o ex-senador Gim Argello e o deputado federal Marcos Maia (RS), presidente, vice e relator da CPMI, de cobrar propina em troca de proteção a sua empresa na comissão que deveria investigar as irregularidades na estatal petrolífera.
O ministro paraibano negou, claro. Não se livrará de uma investigação. Porém, parece evidente a fuga do mandato de senador para o alto escalão do Tribunal de Contas da União.

