Hervazio diz que ‘PSDB está numa sinuca de bico’

Que há uma rivalidade política dominante entre petistas e tucanos no plano federal disso ninguém tem mais dúvidas, enquanto o PMDB espera o desfecho dessa briga. Motivado por essa movimentação, o deputado Hervázio Bezerra (PSB) – líder do governo – sobe a tribuna na sessão de terça (26), onde vai proferir um discurso para afirmar que “o PSDB está numa sinuca de bico”, conforme adiantou numa entrevista ao blog.

Entende ele: “A Lava Jato já sabe de tudo e existe motivo para o impeachment da presidente Dilma (Rousseff), mas o PSDB não leva adiante porque tem plena consciência de que entregar a presidência ao PMDB significa mais 20 anos de baixa”. Esse é o teor do discurso que Hervázio deverá fazer na sessão da próxima semana. Ou seja, levar o debate político nacional para discussão no plano estadual.

Hervázio citou alguns exemplos que merecem uma reflexão, um deles casa com o cenário de hoje. “Maranhão quando assumiu o governo com a morte de Antônio Mariz não teve dificuldades de se reeleger, tornando-se um líder político dos paraibanos”. De fato, tanto é verdade que JM elegeu-se senador da República na eleição passada.

Agora, dois casos no plano federal: “Sarney, em fim de carreira, transformou-se num líder nacional quando assumiu a presidência da República com a morte de Tancredo (Neves); o mesmo aconteceu com Itamar Franca ao substituir Fernando Collor de Mello, que havia sofrido impeachment…”.

“[…] A cadeira e a caneta são dois instrumentos poderosos e quem subestimá-los corre o risco de ficar a ver navios. Existem muitos outros exemplos neste sentido e que estão aí para serem confirmados”, frisou.

Hervázio também ver um sério risco na estratégia tucana de continuar sangrar a presidente Dilma até as eleições de 2018. “Ela pode se recuperar, não?”. Sem dúvida, pode sim. Aconteceu com o ex-presidente Lula, “que passou o primeiro governo pendurado nas cordas até se recuperar, se reeleger e depois eleger a sucessora Dilma na presidência”.

Segundo o socialista, com a decisão de pegar em lanças contra o governo Dilma e tirá-la do cargo “a emenda pode sair pior que o soneto, pois vai ficar mais difícil (na hipótese de ocorrer o afastamento dela) combater Michel Temer sentado na cadeira presidencial e com a caneta…”.

“A emenda nesta movimentação do PSDB poderá sair pior do que o soneto”, reafirmou Bezerra.