Márcio Murilo abre gaveta; Ricardo Vital endossa

A medida que o tempo passa, as ações penais envolvendo parentes de um figurão da política paraibana se acumulam, uma vasta biografia se apresenta aos paraibanos como o “crime compensa” verdadeiramente.

Sem o julgamento e as sucessivas suspeições de juízes um dia sim, outro também, mostra que o Poder Judiciário está precisando de uma reciclagem, até porque uma parte desses magistrados são candidatos a compor futuramente o pleno do TJ da Paraíba.

A recusa de julgar os casos da Operação Calvário reproduz vícios da classe política, com raríssimas exceções. Os desembargadores, esta semana, acabaram fazendo “mea culpa”, mas transferiram para os legisladores estaduais a razão das ações estarem em quarentena.

O desembargador Márcio Murilo abriu a sua gaveta, revelando preocupação com a imagem do judiciário paraibano, diante claro, das sucessivas suspeições arguida de juízes. Um levantamento do Gaeco, autor de todas as denúncias da Calvário, revela 42 ao todo.

Na mídia estão saindo algumas suspeições em processo que envolvem organizações criminosas. E isso está trazendo algumas situações de inconveniência e interpretações de magistrados por estarem fazendo isso. Na Paraíba, porque tantos juízes são suspeitos para julgar processos A, B, C ou D?, questionou.

Relator dos processos da Calvário, o desembargador Ricardo Vital endossou as palavras do colega de colegiado: “Eu me acosto integralmente as palavras do doutor Márcio Murilo, a preocupação é comum, desembargador. Está se tornando uma situação vergonhosa e vexatória”.

Normalmente, o judiciário batia o martelo em julgar os processos. Porém, aguarda apreciação pela Assembleia de um projeto de criação de uma vara especializada em julgamento de processos de corrupção. Na verdade, não precisaria.

A pergunta que não quer calar: será que a quarentena das ações penais da Calvário decorre da participação do ex-governador Ricardo Coutinho, apontado pelo Ministério Público de ser o “comandante máximo” da orcrim que teria desviado R$ 134 milhões da saúde?

Perguntar não ofende, mas exige-se uma resposta convincente e não vale transferir responsabilidade para os legisladores.