Por que não federalizar os crimes de Bruno e Ivanildo?

O deputado federal Cabo Gilberto (PL) vai requerer junto ao Ministério da Justiça – leia-se o ministro Flávio Dino -, a federalização de dois crimes na Paraíba, ambos com características de execução, ou queima de arquivo.

Segundo o parlamentar, a sociedade paraibana clama por justiça o assassinato de Bruno Ernesto. O crime foi tratado pelo poder público como latrocínio, num inquérito policial realizado em tempo recorde, em que seis pessoas foram sentenciadas.

A investigação sobre o assassinato foi incompleta, partindo do princípio em que todos os seus pertences foram localizados, exceto o notebook. Lá, por coincidência, estavam todas as informações do projeto Jampa Digital, que se transformou num escândalo nacional.

O crime completou 11 anos em fevereiro. O Jampa Digital alcançou repercussão por causa da ousadia como o ilícito foi cometido. Apesar do alto investimento, nenhum cidadão conseguiu acessar a internet como se propunha.

O programa nunca funcionou. O prefeito da época Ricardo Coutinho estava prestes a lançar a candidatura a governador em 2010, que tentou transformar a iniciativa dando a conotação de uma façanha tecnológica e pretendia levar para todo Estado.

O Crime – Bruno Ernesto foi assassinado em 7 de fevereiro de 2012. Ele era diretor de Infraestrutura e Suporte da Prefeitura de João Pessoa. Por isso, a inevitável associação com o escândalo do Jampa Digital, já que era um dos coordenadores do programa. Conta a “lenda” que Bruno não concordava com supostos malfeitos.

Ivanildo Viana – O assassinato do radialista Ivanildo Viana ocorre em 27 de fevereiro de 2015 – coincidência, em fevereiro também -, no quilômetro 80 da BR-101, em Santa Rita, região metropolitana de João Pessoa.

Os supostos envolvidos chegaram a enfrentar o tribunal do júri, mas foram absolvidos. As investigações concluíram que o crime teria sido encomendado por R$ 75 mil, conforme a Polícia Civil. O ex-governador Ricardo Coutinho chegou a anunciar, em entrevista, que iria revelar o nome do mandato.

Porém, calou-se para sempre e é mais uma execução que entrou no rol dos “misteriosos”.

A expectativa é que o deputado Cabo Gilberto consiga a judicialização desses dois crimes. Decerto, a sociedade ficaria eternamente grata, pois é como bem disse o promotor de Justiça Marinho Mendes, em entrevista ao programa 360 Graus, “restou apenas a impunidade”.

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